Cerveja brasileira: quem define o nosso paladar?

Comparação entre cervejas

Eis um aparente dilema: é o consumidor que define o que a indústria fornece ao consumo, ou nossos gostos são induzidos e por isso consumimos tal ou qual produto disponível?

Uma pista para entendermos como isso funciona está na história. Pra isso vamos lembrar do homem que praticamente inventou o consumismo.

O famoso pai da psicanálise, Sigmund Freud, tinha um sobrinho chamado Edward Bernays. Se o tio consagrado usou a psicologia para entender e ajudar os homens de sua época, o sobrinho usou-a para o “mal”: seduzir as pessoas para o consumo.

Na década de 20, não era comum ver mulheres fumando. Cigarro era coisa de homem. De olho nessa importante fatia do mercado, a indústria do tabaco contratou Bernays para fazer com que as mulheres passassem a fumar, como um tipo de “desafio ao poder” masculino, símbolo da liberdade da mulher. A propaganda foi um sucesso.

E então chegamos na nossa cerveja.

Tem sido cada vez mais divulgado que a nossa cerveja brasileira não é bem uma cerveja. Cerveja de verdade contém apenas água, malte, lúpulo e cevada, de acordo com a “Lei de pureza alemã”, publicada em 1516. No entanto, a legislação brasileira permite que a loirinha gelada nacional contenha até generosos 40 por cento de “cereais não malteados”, um eufemismo para qualquer coisa que não seja cevada, como milho ou arroz.

Mas por que isso?

A Ambev, grupo que fabrica as principais cervejas nacionais, se defende afirmando que a medida visa apenas “ajustar o gosto da cerveja ao paladar brasileiro”. Economizar ingredientes substituindo uma matéria-prima por outra mais barata? Não, que isso…

Não me lembro de ter sido consultado sobre como eu gostaria que fosse a minha cerveja, tradicional ou com milho.

Ano passado, o site do Globo publicou uma matéria com toda pinta de ser patrocinada, em que um colunista chamado Marcio Beck defendia as cervejas nacionais do que chama de “mimimi”. Segundo ele:

O ser humano […]vem fazendo cervejas há pelo menos 5.500 anos, de acordo com arqueólogos especializados em bebidas fermentadas, e a cevada nunca foi a única fonte de açúcares utilizada para sua produção (trigo, arroz, sorgo, milhete e outros compõem a lista)

Ora bolas, é óbvio que existe cerveja de trigo, cerveja de sorgo, cerveja de arroz… O que não pode existir é cerveja de cevada com quase metade de trigo, sorgo, arroz… São duas coisas completamente diferentes.

O fato é que, como vimos, devemos zelar pelo nosso paladar deixando de ser levados pela onda manipulativa do marketing. Porque quase sempre não é a indústria que atende a nossa demanda. Ela, através dos seus publicitários, cria a demanda, exatamente como Edward Bernays há quase 100 anos.

Se você gosta de sua cerveja com quase metade de não-cevada, tudo bem. Mas, considere estar sendo induzido a  isso e, no mínimo, o fato de que você precisa ter o direito de saber que está levando gato por lebre conscientemente. Já não chega o sorvete de morando que não tem nenhum morango, a gasolina que tem grande parte de álcool, o azeite que tem óleo de soja, e tantos outros produtos da indústria que substituem matéria prima pensando em robustecer os lucros pessoais em detrimento da qualidade do produto que oferecem.

Comentários

  1. Eu não bebo, mas já fui dono de um bar/restaurante.
    Há vários tipos de cerveja no mercado, a que vende mais é porque as pessoas gostam mais. (Claro que o preço também conta)
    No caso a Skol é a que faz mais sucesso.
    Não sei porque (não bebo) mas mulheres gostam muito da Itaipava.

    Fora as comerciais tem as artesanais, para todo tipo de gosto.

    O Capitalismo nos proporciona toda essa diversidade.
    Uma empresa tem que buscar o custo benefício e a Ambev faz isso.

    Marx tinha implicância com a diversidade de produtos, não estou nem aí para as ideias fracassadas ou ideológicas de Marx:

    http://terapiadalogica.blogspot.com.br/2013/05/boas-intencoes.html
    ___________________________

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    1. Isso aí. Consumidores do seu perfil que o mercado adora.

      Qualquer dia vão colocar capim pra vender dizendo que é alface picada, mas você, como um bom defensor das empresas que buscam o custo benefício, vai comer feliz da vida.

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  2. Sempre achei essas cervejas por aí umas porcarias. Não importa, vender uma coisa dizendo que é uma coisa, mas na vedade é outra para mim é enganar o consumidor, um engodo,só para baratear o produto.
    O sabor da cerveja mudou muito, parece até água, culpa dessa Ambev e desse governo de merda.
    Sou do tempo que bebia a Itaipava de litro e não era boa, só mais barata, as boas eram a Brahma e a Antártica e o gosto mudou muito,não tem mais o sabor do lúpulo.

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  3. Sempre achei essas cervejas por aí umas porcarias. Não importa, vender uma coisa dizendo que é uma coisa, mas na vedade é outra para mim é enganar o consumidor, um engodo,só para baratear o produto.
    O sabor da cerveja mudou muito, parece até água, culpa dessa Ambev e desse governo de merda.
    Sou do tempo que bebia a Itaipava de litro e não era boa, só mais barata, as boas eram a Brahma e a Antártica e o gosto mudou muito,não tem mais o sabor do lúpulo.

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    1. É verdade Marcia, exatamente.
      Nesse país tudo é permitido, desde colocar álcool na nossa gasolina, até milho na nossa cerveja.
      Grande abraço.

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