Venezuela como ameaça à segurança dos EUA? Alguma coisa não está batendo

Putin e Maduro

Apesar de ser presidente de um dos países que mais promovem a insegurança e a instabilidade política no mundo, Barack Obama surpreendeu nessa segunda (9/3) com um comunicado onde denuncia a Venezuela de Nicolás Maduro como um país que representa “uma ameaça não usual e extraordinária à segurança nacional dos Estados Unidos”. E tudo por conta da suposta violação de direitos humanos promovida por militares venezuelanos, que enfrentam uma ameaça de golpismo de adversários políticos que, como no passado recente, contam com o apoio dos… Estados Unidos.

Tal medida da Casa Branca, bastante grave, parece desproporcional. Obama declarou “emergência nacional”, o que quer dizer que pode tomar medidas além das que forem determinadas pelo Congresso norte-americano. E tudo isso porque alguns oficiais venezuelanos presumivelmente exageraram no combate àqueles que pretendem derrubar o governo local? Pra mim existem outras razões mais plausíveis para as ameaças ianques.

Rússia ensaia uma aproximação militar com a Venezuela

Não é de hoje que a Rússia é uma das principais parceiras da Venezuela no continente americano. Só na área militar, existe um acordo que envolve a quantia de 11 bilhões de dólares em armamentos. Além de terem planos de abrir uma fábrica de armas e munições no país sul-americano, os russos já forneceram 24 caças de múltiplas funções Su-30MK2, 34 helicópteros Mi-17V-5, dez helicópteros Mi-26T e três helicópteros Mi-35M. Ano passado, o ministro da Defesa russo, Sergei Shoigu, chegou a afirmar que a Rússia teria uma base militar na Venezuela, mas logo a seguir as autoridades militares venezuelanas negaram.

Mas o certo é que há, desde o governo Chávez, uma aproximação entre Rússia e Venezuela, fato que certamente incomoda bastante a Casa Branca, especialmente hoje em dia, após o aumento das tensões entre Moscou e Washington na crise da Ucrânia.

Relatório de segurança nacional dos EUA deixa claro: Rússia é o maior inimigo

Publicado dia 7 de fevereiro, o relatório da estratégia de segurança nacional dos EUA para os próximos anos revelou que a Casa Branca concentrará seus esforços e recursos contra a Rússia. O documento permite, há três décadas, conhecer as prioridades e ameaças em política externa dos Estados Unidos. “Vamos impedir a agressão russa, permaneceremos atentos a suas capacidades estratégicas e, se for necessário, ajudaremos nossos aliados e parceiros a resistir à coação russa no longo prazo”, assinala o relatório de 29 páginas.

Ao que tudo indica, tendo em vista tal estratégia norte-americana e a aproximação russa com países latino-americanos no continente que consideram o seu “quintal”, especialmente com a Venezuela, a Casa Branca quer mandar um recado é para Vladimir Putin, não para Maduro.

Isso faz mais sentido do que alegar que a Venezuela representa uma ameaça “extraordinária” aos EUA por combater dissidentes internos.

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