Panorâmica Social

Denúncia das injustiças da plutocracia brasileira e mundial

8 de março de 2015

Do Impeachment para o golpe é só um pulo

Protesto pelo Impeachment da Dilma

No próximo domingo, um protesto programado pelas classes médias contra o governo representa uma verdadeira incógnita. Qual será o número de adesão da população a ela? Isso é um dado que pode determinar bastante os próximos movimentos na política nacional.

Pros exaltados e politicamente ignorantes coxinhas brasileiros que só enxergam um palmo diante do nariz, o Impeachment da presidente da República, em vez de contentar sua sanha de classe golpista, seria um verdadeiro tiro no pé. Hoje tirariam a Dilma do poder por razões particulares e ainda por cima equivocadas, já que a presidente faz um governo ruim, mas em favor dos interesses das classes econômicas mais elevadas e não dos movimentos sociais e dos mais pobres. Assim, apenas preparariam o terreno com um belo tapete vermelho para a volta triunfal de um Lula mais fortalecido, democrático e legitimado em 2018. Certamente não é esse o plano.

Mas por outro lado, tal como em 64 com a Marcha da Família, com Deus, pela Liberdade, as demonstrações públicas de insatisfação teriam um papel devastador na capacidade de ação do governo, coisa que seria bem capitalizada pela oposição de direita. É por isso que as velhas raposas da política nacional preferem deixar essa história de Impeachment de lado e apostar no desgaste lento e gradual do governo até a próxima eleição, mesmo às custas de uma crise nacional que afete todo o país nos próximos anos.

Mas aí temos um problema: crises econômicas prolongadas com recessão e inflação cada vez maiores podem fazer o caldo entornar.

Não vai demorar muito e as classes médias, sem a mesma capacidade de compreender as conjunturas, logo passarão então do Impeachment para o pedido de golpe descarado.

Nesse momento, já seria hora dos chefes militares mostrarem de uma vez por todas que as Forças Armadas superaram o seu triste passado golpista para fazer um pronunciamento em defesa do governo. Logo eles, tão afeitos a se mostrarem publicamente como guardiões da constitucionalidade, da lei, da democracia e da ordem, até agora não tomaram partido contra o clima de golpismo que já está a impregnar o ar.

A outra possibilidade, mais remota, no entanto bem plausível, é os militares fazerem exatamente como em 64: usarem a manifestação pública de desaprovação ao governo para manobrarem em favor da derrubada da Dilma.

É por isso que o tamanho da manifestação programada para o próximo dia 15 tem uma importância muito grande.  Vai determinar se são apenas algumas dezenas de coxinhas palermas indo às ruas sem noção do que estão fazendo, ou se são milhares de brasileiros realmente insatisfeitos com os rumos da política nacional.

Espero, para o bem do país, que aquela manifestação seja um fracasso.

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