Panorâmica Social

Denúncia das injustiças da plutocracia brasileira e mundial

30 de março de 2015

Ditadura sádica: o caso Orlando Sabino

30 março 0

Orlando Sabino

Daqui a pouco mais de um mês, no próximo dia 1º de abril (e não em 31 de março, como os saudosos gostam de afirmar, constrangidos) completar-se-ão 53 anos do famigerado golpe empresarial-militar no Brasil. De modo geral, o episódio do golpe e alguns de seus desdobramentos mais evidentes são conhecidos de grande parte da população brasileira. Mas ainda há diversos fatos que, devido ao caráter secreto das ações e da falta de liberdade de imprensa de então, permanecem nas sombras, sendo muito vagarosamente divulgados ao conhecimento da opinião pública. Certamente é o caso do infeliz Orlando Sabino, e seu drama cruel vivido nos anos 70, em Minas.

Assassinatos em série no Triângulo Mineiro

Em 2006, o recentemente falecido jornalista Carlos Alberto Luppi publicou uma ficção com base em fatos reais chamada Dinastia das Sombras – O homem que matou Jesus Cristo, que acabo de ler. Pessoalmente achei a obra muito decepcionante, por conta do enredo emaranhado em épocas e lugares diferentes, mudando em saltos pra frente e pra trás o tempo todo, além do formato típico de diário, com cabeçalho de datas e locais em seções curtas, repleto de citações literais retiradas dos autos do caso. Confesso que, quando comprei o livro, esperava uma saga movimentada, ao estilo Código Da Vinci com um cenário tupiniquim – o que seria algo interessante por si mesmo – conforme o prometido na orelha do livro: “por trás dos acontecimentos, a revelação de um poder das sombras, formado por homens e mulheres que compõem uma das faces mais cruéis dessa história, ligado a ordens secretas que ainda hoje influenciam a vida política e empresarial…”

O que de bom o livro traz mesmo é a história real de um dos crimes mais sádicos cometidos pela ditadura empresarial-militar brasileira. O caso de Orlando Sabino, conhecido no começo dos anos 70 como O Monstro do Triângulo Mineiro, por ser condenado como culpado pelos assassinatos em série que ocorreram na região no ano de 1972, passando quase 40 anos preso num manicômio de Barbacena por conta disso.

Na verdade, o pobre Orlando Sabino, negro, doente mental, analfabeto, sem parentes localizáveis, serviu perfeitamente de bode expiatório numa trama da polícia mineira junto com o Exército, que pretendia desviar a atenção da opinião pública da caça aos comunistas e ocupação militar que pretendiam promover na região, rota dos guerrilheiros do Araguaia.

Crimes além da capacidade do suposto criminoso

Logo que foi divulgada a prisão de Orlando em 1973 e as pessoas puderam saber os detalhes dos crimes e quem era de fato o Monstro de Capinópolis, ficou claro que aquele sujeito não poderia ser o autor de crimes tão cruéis e sofisticados, (apesar de, confuso, ter assumido a culpa em todos os depoimentos) em várias regiões do Triângulo Mineiro, alguns com espaço de minutos entre eles. Ainda mais porque a perícia de então, corajosamente, divulgou que os assassinatos foram cometidos com arma de calibre 44, exclusivo das Forças Armadas.  

Certamente, Orlando Sabino foi usado impiedosamente pelos militares na busca de seus fins. Mais um típico exemplo de uma era onde o Estado de Direito inexistente permitia abusos inacreditáveis de uma instituição repressiva e cruel, que não se furtava a usar vidas humanas inocentes para suas finalidades. Que as pessoas hoje possam ser capazes de conhecer tais episódios lamentáveis antes de pedir a volta dos militares ao poder.

Orlando faleceu em 2013, de infarto, aos 66 anos.

16 de março de 2015

Mérito do governo: tentar trazer os insatisfeitos para a discussão da Reforma Política

16 março 0

cardozo_e_rossetto

As milhares de pessoas que foram ontem às ruas tinham uma ideia geral do motivo pelos quais se mobilizaram a sair de casa: a corrupção que ganhou mais visibilidade atualmente por conta das investigações da Lava-Jato. O problema – para o governo Dilma – é que a multidão identificou no PT a causa de todos os males nacionais em se tratando do tema.

Dando uma olhada nos cartazes e nas entrevistas dos participantes, as reivindicações foram das mais variadas: Impeachment, intervenção militar, fim da doutrinação marxista nas escolas (?!), defesa das privatizações, tudo isso como forma de combater a corrupção. Mas ninguém – ao menos que se tenha visto – sugeriu o fim do financiamento empresarial das campanhas políticas, o verdadeiro foco da corrupção na política nacional.

Logo após as manifestações, coube ao Ministro da Justiça José Eduardo Cardozo e ao secretário da Presidência Miguel Rossetto o pronunciamento e a promessa de soluções, onde se comprometeram a enviar ao Congresso um pacote de medidas contra a corrupção em que a defesa do financiamento público de campanha esteja contemplada. Trata-se de uma nova oportunidade de defender uma demanda que surgiu nos protestos de junho de 2013, ganhou mais uma vez importância na campanha eleitoral no ano passado e iria ficando pelo caminho de novo, não fosse a surpreendente manifestação das ruas no dia 15 desse mês.

Assim, apesar de não ter sido muito contundente nessa matéria em oportunidades anteriores, o governo ganha mais uma vez uma chance de mostrar que está tentando se adequar ao clamor das ruas. Não importa se as manifestações de ontem eram de classe média, alta ou baixa. O importante é o governo assumir a liderança e trazer a indignação popular para uma meta: fazer pressão no Congresso, a fim de realizar as reformas que esperam uma solução há décadas. Trazer um foco à insatisfação, tirando-o do governo e direcionando-o exatamente no lugar certo: no financiamento privado de campanha, raiz de grande parte da promiscuidade corrupta entre o setor público e o empresarial que faz esse país ficar atolado e sem rumo.

Já é um começo. Se Dilma terá vontade politica de levar isso adiante, só esperando pra ver. De novo.

Patriotismo como forma de encobrir privilégios

16 março 0
Patriotismo como forma de encobrir privilégios

15 de março de 2015

Dilma alimentou o monstro que agora ameaça derrubá-la

15 março 0

Dilma cumprimenta Aécio

É difícil acreditar na disposição de milhares de pessoas para sair às ruas hoje, gritar por um absurdo Impeachment, sem primeiro buscar uma base mais sólida de conhecimento sobre toda a complexidade da política atual que nos ronda. Mas eles estão aí, levados pelas mais diversas razões.

Dilma Rousseff causou uma sucessão inacreditável de erros estratégicos desde a vitória na eleição. Provocou enormes descontentamentos no seio das esquerdas brasileiras com as escolhas do seu ministério e com a guinada econômica rumo ao pacote de ajustes neoliberais. As mesmas esquerdas que lhe depositaram um voto de confiança na acirrada eleição do ano passado, recebendo de volta nada menos que um inacreditável estelionato eleitoral, com a maior naturalidade. Mas nem por isso essa parcela da população saiu às ruas ou clamou por golpes ou Impeachment. Creio que compreendem, em sua maioria, que a luta tem que ser dentro das regras da democracia. E, curiosamente, são as esquerdas que sempre carregaram a indevida fama de não respeitar o jogo democrático.

Por outro lado, amplos setores da classe média brasileira, esses que se dizem patriotas, defensores da moral e dos bons costumes, dos valores judaico-cristãos, da democracia e da família brasileira, estarão hoje nas ruas, pedindo nada menos do que um golpe, seja judiciário, legislativo ou militar. Não importa. Não importa sequer as razões para o golpe. Instigados por uma mídia que assumiu a oposição por conta da péssima imagem e da imoralidade dos tucanos perante a opinião pública, vão às ruas para tentar meramente reverter o resultado das urnas na marra.

Os militantes petistas acusarão -- com razão -- as Organizações Globo de insuflarem o golpe. Mas a Globo criando todo o clima para as manifestações de Impeachment, com cobertura ao vivo desde a manhã deste dia 15 até a mudança da programação para não prejudicar as manifestações está apenas sendo Globo.

O PT é que não foi PT quando podia usar da força que tinha (quando tinha) nesses 13 anos de poder para cobrar, por exemplo, a sonegação fiscal da empresa dos Marinho ou para regulamentar a mídia para quebrar seu monopólio. Também podia ter cortado os bilhões em publicidade governamental que alimentam o monstro que agora se virou contra ele. Era previsível. Podia ter esmagado a oposição, capitalizando o apoio dos movimentos sociais e dos eleitores progressistas que votaram contra a opção tucana. Em vez disso, pelo menos nessa última eleição, virou as costas para esse enorme contingente de apoiadores para aplicar no governo o programa derrotado nas urnas. Agora, tem que aguentar, e torcer pra onda passar. Porque senão, os petistas vão lamentar o resto da vida não ter cortado a cabeça dos inimigos em vez contemporizar com uns e de trazer outros para dentro do próprio governo.

11 de março de 2015

O PT despolitizou a política, e grande parte da “nova classe média” foi pra direita

11 março 0

guinada a direitaQuem primeiro cantou a pedra foi  a professora Marilena Chauí, anos atrás, durante a euforia governista com a ascensão social de amplas camadas de miseráveis à faixa de consumo: se essa nova classe trabalhadora (que os governos petistas chamam erroneamente de nova classe-média) não fosse politizada, conscientizada do seu papel na sociedade para lutar por seus interesses, seria cooptada ideologicamente pelo pensamento mais reacionário de amplos setores das verdadeiras classes-médias brasileiras. Vendo hoje o aumento cada vez maior das hostilidades contra o governo em diversos setores da pirâmide social, tanto no topo quanto na base, mas principalmente naquela faixa mediana mais larga onde se situa a maioria da população, é difícil não pensar que Marilena Chauí acertou em cheio na sua advertência.

O portal de notícias Carta Capital trouxe essa semana uma entrevista com Lincoln Secco, professor de História da USP, autor de "A história do PT". Nela, ele dá a chave para entender como o Partido dos Trabalhadores chegou a esse momento tão negativo em sua trajetória no governo. O professor confirma a tese da cooptação dos setores mais pobres pela classe-média, mas diz que ela foi parcial:

É esperado que pessoas que emergiram das classes mais pobres para aquilo que o próprio Lula chamou de “nova classe média” acabe incorporando os valores da classe média tradicional. Isso forma uma base cada vez maior para o antipetismo. Nas últimas eleições, esse estrato social, que eu prefiro chamar de nova classe trabalhadora, se dividiu. Uma parte ficou fiel ao projeto do PT e outra parte migrou para o PSDB.

Os petistas, no governo, imaginaram poder assegurar a estabilidade fomentando uma conciliação de classes, despolitizando os movimentos sociais, os sindicatos e esse enorme contingente da população que ascendeu à faixa do consumo. Mas o conflito seria inevitável do outro lado da trincheira, ou seja, nas camadas médias urbanas que se ressentem das políticas de transferência de renda, pois percebem que estão pagando a conta, já que o PT se nega a discutir a taxação das grandes fortunas. E por ser despolitizado, esse recente contingente de pessoas que ascenderam socialmente  foi atraído pela insatisfação geral que se alastra no seio da sua “nova” condição social, na falta de um discurso alternativo promovido pelo governo.

Nesse momento em que assistimos ao esgotamento do “pacto de classes”, ou seja, da ideia de que se governa para todos, há um racha político no Brasil. De um lado os setores reacionários, que nutrem um ódio a tudo o que o PT representou (no tempo verbal passado mesmo) e do outro os movimentos sociais e aqueles setores da classe trabalhadora que se sentiram traídos pelo estelionato eleitoral de Dilma e que começam a se mobilizar, saindo da letargia. E no meio de tudo isso, um partido que, por um enorme erro de estratégia, apostou na conciliação, achando que ela iria durar indefinidamente. Agora ele se encontra sem representatividade, uma engrenagem solta que não se encaixa em nenhum dos lados.

Nenhum pacto resiste a uma grande crise econômica. Disseram que ela não viria, mas ela está aí, batendo à porta. E os conflitos sociais se exacerbam nesse momento. O PT apostou na paz, e não está preparado para a guerra. Ao abandonar suas antigas bandeiras, se entrincheirou nas hostes inimigas, sendo agora repelido de lá como um cão sarnento. Talvez agora seja tarde demais para voltar atrás.

10 de março de 2015

Venezuela como ameaça à segurança dos EUA? Alguma coisa não está batendo

10 março 0

Putin e Maduro

Apesar de ser presidente de um dos países que mais promovem a insegurança e a instabilidade política no mundo, Barack Obama surpreendeu nessa segunda (9/3) com um comunicado onde denuncia a Venezuela de Nicolás Maduro como um país que representa “uma ameaça não usual e extraordinária à segurança nacional dos Estados Unidos”. E tudo por conta da suposta violação de direitos humanos promovida por militares venezuelanos, que enfrentam uma ameaça de golpismo de adversários políticos que, como no passado recente, contam com o apoio dos… Estados Unidos.

Tal medida da Casa Branca, bastante grave, parece desproporcional. Obama declarou “emergência nacional”, o que quer dizer que pode tomar medidas além das que forem determinadas pelo Congresso norte-americano. E tudo isso porque alguns oficiais venezuelanos presumivelmente exageraram no combate àqueles que pretendem derrubar o governo local? Pra mim existem outras razões mais plausíveis para as ameaças ianques.

Rússia ensaia uma aproximação militar com a Venezuela

Não é de hoje que a Rússia é uma das principais parceiras da Venezuela no continente americano. Só na área militar, existe um acordo que envolve a quantia de 11 bilhões de dólares em armamentos. Além de terem planos de abrir uma fábrica de armas e munições no país sul-americano, os russos já forneceram 24 caças de múltiplas funções Su-30MK2, 34 helicópteros Mi-17V-5, dez helicópteros Mi-26T e três helicópteros Mi-35M. Ano passado, o ministro da Defesa russo, Sergei Shoigu, chegou a afirmar que a Rússia teria uma base militar na Venezuela, mas logo a seguir as autoridades militares venezuelanas negaram.

Mas o certo é que há, desde o governo Chávez, uma aproximação entre Rússia e Venezuela, fato que certamente incomoda bastante a Casa Branca, especialmente hoje em dia, após o aumento das tensões entre Moscou e Washington na crise da Ucrânia.

Relatório de segurança nacional dos EUA deixa claro: Rússia é o maior inimigo

Publicado dia 7 de fevereiro, o relatório da estratégia de segurança nacional dos EUA para os próximos anos revelou que a Casa Branca concentrará seus esforços e recursos contra a Rússia. O documento permite, há três décadas, conhecer as prioridades e ameaças em política externa dos Estados Unidos. “Vamos impedir a agressão russa, permaneceremos atentos a suas capacidades estratégicas e, se for necessário, ajudaremos nossos aliados e parceiros a resistir à coação russa no longo prazo”, assinala o relatório de 29 páginas.

Ao que tudo indica, tendo em vista tal estratégia norte-americana e a aproximação russa com países latino-americanos no continente que consideram o seu “quintal”, especialmente com a Venezuela, a Casa Branca quer mandar um recado é para Vladimir Putin, não para Maduro.

Isso faz mais sentido do que alegar que a Venezuela representa uma ameaça “extraordinária” aos EUA por combater dissidentes internos.

8 de março de 2015

Do Impeachment para o golpe é só um pulo

08 março 0

Protesto pelo Impeachment da Dilma

No próximo domingo, um protesto programado pelas classes médias contra o governo representa uma verdadeira incógnita. Qual será o número de adesão da população a ela? Isso é um dado que pode determinar bastante os próximos movimentos na política nacional.

Pros exaltados e politicamente ignorantes coxinhas brasileiros que só enxergam um palmo diante do nariz, o Impeachment da presidente da República, em vez de contentar sua sanha de classe golpista, seria um verdadeiro tiro no pé. Hoje tirariam a Dilma do poder por razões particulares e ainda por cima equivocadas, já que a presidente faz um governo ruim, mas em favor dos interesses das classes econômicas mais elevadas e não dos movimentos sociais e dos mais pobres. Assim, apenas preparariam o terreno com um belo tapete vermelho para a volta triunfal de um Lula mais fortalecido, democrático e legitimado em 2018. Certamente não é esse o plano.

Mas por outro lado, tal como em 64 com a Marcha da Família, com Deus, pela Liberdade, as demonstrações públicas de insatisfação teriam um papel devastador na capacidade de ação do governo, coisa que seria bem capitalizada pela oposição de direita. É por isso que as velhas raposas da política nacional preferem deixar essa história de Impeachment de lado e apostar no desgaste lento e gradual do governo até a próxima eleição, mesmo às custas de uma crise nacional que afete todo o país nos próximos anos.

Mas aí temos um problema: crises econômicas prolongadas com recessão e inflação cada vez maiores podem fazer o caldo entornar.

Não vai demorar muito e as classes médias, sem a mesma capacidade de compreender as conjunturas, logo passarão então do Impeachment para o pedido de golpe descarado.

Nesse momento, já seria hora dos chefes militares mostrarem de uma vez por todas que as Forças Armadas superaram o seu triste passado golpista para fazer um pronunciamento em defesa do governo. Logo eles, tão afeitos a se mostrarem publicamente como guardiões da constitucionalidade, da lei, da democracia e da ordem, até agora não tomaram partido contra o clima de golpismo que já está a impregnar o ar.

A outra possibilidade, mais remota, no entanto bem plausível, é os militares fazerem exatamente como em 64: usarem a manifestação pública de desaprovação ao governo para manobrarem em favor da derrubada da Dilma.

É por isso que o tamanho da manifestação programada para o próximo dia 15 tem uma importância muito grande.  Vai determinar se são apenas algumas dezenas de coxinhas palermas indo às ruas sem noção do que estão fazendo, ou se são milhares de brasileiros realmente insatisfeitos com os rumos da política nacional.

Espero, para o bem do país, que aquela manifestação seja um fracasso.

4 de março de 2015

O que Luciano Huck tem na cabeça

04 março 0

Luciano Huck

Desde que Luciano Huck se enveredou pelos caminhos da moda, a coisa não tem sido fácil. Difícil entender como uma pessoa esclarecida e bem vivida pode ser capaz de cometer tantas gafes sucessivas desse jeito. Primeiro foi o episódio da banana, onde lançou uma campanha supostamente “antirracista” com um slogan pra lá de infeliz: “Somos Todos Macacos”. Agora me apareceu com uma nova linha de camisetas infantis que causou grande polêmica e indignação nas redes sociais. “Ven ni min que eu tô facin” para meninas e “Se eu não lembro, eu não fiz” para os meninos. O que se passa na cabeça desse renomado apresentador e empresário brasileiro? Desenvolvemos algumas hipóteses para tentar responder.

Luciano Huck é sádico

Nesse cenário, Luciano Huck sabe que vai causar desconforto em grandes parcelas da sociedade, e portanto, não seria isento de responsabilidade. Tudo o que ele faz é provocar propositalmente a ira das pessoas ofendidas, porque do alto da sua torre de marfim inatingível, ele observa com satisfação o resultado de sua polêmica, planejando já qual será a próxima;

Luciano Huck é um palerma

Bem que ele tenta acerta a mão, mas coitado, só dá bola fora. Luciano ficaria diante de seus publicitários dando palpites ridículos, como “Somos Todos Macacos” e também a ideia de vender camisas abusadas para um público infantil, e seus empregados, apesar de saberem do resultado desastroso, aprovam, porque, afinal ninguém quer contrariar o poderoso chefe. Com mais um fiasco, Luciano fica triste, mas não desiste: já pensa na próxima campanha, que bem poderia ser “Já espancou um gay hoje?”. Seria um sucesso (na cabeça dele)...

Luciano Huck é um mercenário oportunista

Aqui Luciano nada mais é do que o típico empresário capitalista, vendo oportunidades de negócios nas coisas mais ínfimas. Ele sabe que vai gerar polêmica com suas camisas deploráveis, mas tem tudo planejado: lança a camisa; cria a polêmica; a polêmica produz divulgação da marca; a divulgação alavanca as vendas: touché!

Ele sabe que terá que tirar a camisa do ar em 24 horas para acalmar os alaridos, mas também sabe que isso não será problema, porque a expectativa já fora alcançada e existe uma boa fatia do mercado consumidor que foi conquistada. E assim gira a roda do capitalismo.

Ainda não sei exatamente qual é a cabeça desse rapaz, mas pelo amor de deus, alguém faça esse cara parar.

E pra você, qual é a intenção do Luciano Huck com essas camisas polêmicas?

3 de março de 2015

Andressa Urach e a conversão pelo susto

03 março 0

Andressa lendo Macedo

Os religiosos muitas vezes apresentam uma espécie de “argumento” para confrontar o ceticismo orgulhoso e incômodo dos ateus: na hora de um grande perigo, todo mundo se borra todo de medo de morrer e aí pede a deus pela sua vida, invariavelmente. A partir daí, se morrer, morreu, e ninguém vai ligar. Mas se sobreviver, todo o mérito, honra e reconhecimento vão para o nosso glorioso Jesus Cristo. A falácia pode ser resumida no seguinte bordão: “Ninguém é ateu quando o avião está caindo”.

Deus chamou depois do hidrogel na bunda

Apesar da ilógica dessa trapaça intelectual ser facilmente desmontável, recentemente aconteceu um caso – dentre alguns outros – que parece reforçar tal tipo de ideia: Andressa Urach, pseudo-celebridade do momento, depois de uma malsucedida cirurgia estética nas poderosas nádegas vice-campeãs mundiais num concurso, revelou ter-se convertido a uma seita neopentecostal depois de estar entre a vida e a morte. Imagens da musa lendo o livro do Bispo Macedo no leito do hospital serviram para os evangélicos se convencerem ainda mais de que, na hora do sufoco, todo mundo se rende a deus.

Mas é claro que não é bem assim que a banda toca.

A história da “revelação” que levou Urach à conversão é repleta de fantasias e viagens, coisa muito comum nos testemunhos. E antes de mais nada, todos nós vivemos numa cultura impregnada de religiosidade, misticismo, crendices, mitos e outros pensamentos mágicos. Querendo ou não, muitos de nós carregamos essa influência em nossas vidas nas menores atitudes, apesar de muita gente, como a própria Urach antes da conversão, viver uma vida “mundana” – o que muitos crentes (e as próprias pessoas em si) interpretariam como sendo “afastada de deus”. São os que às vezes chamamos de “católicos não praticantes”, ou, traduzindo, religiosos da boca pra fora por conveniência social.

Quando alguns desses afastados, desviados e desinteressados passam um grande perrengue em suas vidas, automaticamente vêm em suas mentes a influência da religião. Quando se salvam, sentem-se em dívida de gratidão com as entidades sobrenaturais as quais foram ensinadas a crer, e se sentem induzidas a voltar ao seio da religiosidade com grande sentimento de culpa. Tem sido assim durante muitos episódios de acidentes, e os próprios religiosos não se envergonham em salientar que a sua igreja ganhou mais um adepto pelo susto e não pela reflexão pensada racionalmente (até porque isso seria um grande paradoxo).

Deus não existe. Ateus se converteriam a algo que não existe?

Mas o grande equívoco é pensar que pessoas totalmente céticas ou alheias à religião também seriam atraídas por estes mecanismos toscos de cooptação. Apesar de estarem inseridas no mesmo meio cultural dos religiosos – e, portanto, sofrerem as mesmas influências – verdadeiros céticos já se livraram da crença nesses tipos de tramoias celestiais, em que deus coloca propositalmente alguém numa situação de extremo perigo, precisando perder uma perna ou parte da bunda (no caso da Urach) para ter a fé restaurada ou iniciada. Ateus convictos com um grau de conhecimento elevado do assunto jamais vão apelar a um deus por conta das conhecidas vicissitudes da vida,  quando o avião em que estão, por exemplo, está caindo do céu. Vão sentir medo de morrer, pois têm os mesmos instintos animais que todo ser humano, mas não tem por que apelar a uma entidade que eles não têm a menor crença na existência. Para que um crente compreenda de uma vez por todas, seria como um indígena duvidar que uma pessoa da cidade jamais faça uma oração a Tupã na hora do perigo. Não faz o menor sentido. Mas a incapacidade dos crentes em se colocar na cabeça de outra pessoa para compreender o que ela pensa ou sente de diferente é um dos mais claros exemplos de como a religião, de modo geral, é intelectualmente incapacitante.

Não suspeito da boa-fé da moça a ponto de chamá-la de oportunista, mas em se tratando da instituição, qualquer crença que se orgulha de recrutar adeptos pelo susto ou pelo medo deveria causar, no mínimo, uma grande desconfiança entre nós.