Enquanto Uruguai aprova Lei de Medios, governo brasileiro vira refém da imprensa

Pluraridade e Diversidade nas Midias

Foi aprovada hoje, no Congresso uruguaio, a “Lei de Médios” daquele país, denominada Lei de Serviços de Comunicação Audiovisual, depois de mais de um ano de debates e disputas políticas, onde, obviamente, as empresas de comunicação comerciais lutaram para manter intactas as diretrizes que até então garantiam seus monopólios, através de seus deputados “amigos”.

A rigor, as medidas apontadas na nova lei servirão para garantir maior pluralidade e diversidade na programação uruguaia, com a quebra dos monopólios dos grandes meios de comunicação. A lei também defende que 60 por cento de toda a programação seja de produção nacional, além da limitação da publicidade e da criação de um Conselho de Comunicação Audiovisual que pretende garantir a pluralidade dos meios de comunicação.

Mas e no Brasil?

No nosso país, a Lei de Médios é apenas uma utopia. Setores dos governos petistas têm promovido seminários e consultas há muitos anos com a sociedade civil para aprimorar e adaptar as diretrizes de todos os modelos disponíveis mundo afora à nossa realidade. Mas não se sabe por que motivos a cúpula do governo federal jamais tornou a regulação, a pluralidade e a diversidade dos meios de comunicação brasileiros, uma bandeira a ser levantada.

O tema é mais um dos que causam um abismo entre o Partido dos Trabalhadores, que apoia a lei e quer que ela seja implementada ano que vem, e o governo Dilma que apesar de ensaiar um apoio discreto antes da eleição, depois, já afirmou que o tema não é prioridade.

Ora, que prioridade pode ser maior do que a necessidade urgente de democratizar um aparelho poderoso de informação que em todos esses anos tem servido de plataforma política para a direita mentir, influenciar e atacar o próprio governo, como tem sido desde que o PT alcançou o poder?

Difícil de compreender por que Dilma Rousseff prefere apanhar todos os dias de uma mídia vendida, que atualmente anda colocando em risco a maior empresa estatal brasileira, com acusações e mais acusações de corrupção que sempre houveram e sempre vão haver enquanto o sistema for este que favorece o poder econômico em vez de servir aos interesses da população. Mas para essa mídia burguesa e parcial, toda a corrupção do planeta é obra do PT, e não há nenhuma maneira da população conhecer uma outra versão do Operação Lava Jato. Para todos os efeitos, a população brasileira é levada a acreditar que a corrupção na Petrobras começou apenas com a chegada de Lula e Dilma ao Planalto. Até quando o PT vai ser tão conivente com isso?

E nisso o governo Dilma é tanto o vilão quanto a própria vítima, e assim parece que vai querer ser até o fim.

Postagens mais visitadas deste blog

Voz de prisão. Na teoria, uma coisa, na prática, outra bem diferente

Qual é o termo gentílico mais adequado para quem nasce nos Estados Unidos?

Deputados contra a Reforma da Previdência: consciência política ou barganha pelas emendas parlamentares?

Como os homens manipulam a “vontade de Deus” de acordo com suas necessidades: a questão do lucro