Bancada da bala quer revogar o Estatuto das Armas

Tiro no pé

Em entrevista pela rádio CBN, o deputado fluminense Flávio Bolsonaro, filho do famigerado deputado federal Jair Bolsonaro, debateu com o coronel da Polícia Militar do Rio, Ubiratan Ângelo, sobre a possível revogação do Estatuto do Desarmamento de 2003, possibilidade que está em discussão numa Comissão Especial na Câmara dos Deputados.

De acordo com o site da EBC,

O projeto (PL 3.722/12) propõe acabar com as restrições do estatuto ao porte particular de armas de fogo, por civis, e cria normas para a comercialização de armas e munições. A atual lei estabelece que o porte de armas, por civis, é permitido somente quando for comprovada a necessidade.

Flávio Bolsonaro falou em favor da revogação, enquanto que o coronel opinou contra. E enquanto isso, a maior justificativa dos ouvintes que enviaram suas mensagens para a rádio, para que cidadãos possam andar armados, segundo o apresentador, era a defesa da família. Mais uma vez, a sagrada família brasileira tem uma solução simples, dessa vez para a questão da violência no país: se defender à bala.

Os deputados e os eleitores favoráveis a revogação do Estatuto do Desarmamento querem, mais uma vez, propor medidas drásticas, porém paliativas para solucionar um problema altamente complexo. Não se sabe se, por má-fé ou por autêntica ignorância, em vez de ir a fundo no problema e atacar as estruturas perversas da sociedade brasileira, que historicamente fomentam uma das maiores desigualdade sociais do planeta, base da violência em países capitalistas, propõem mais matança como solução.

Além disso, fecham os olhos para uma política de segurança pública que desde os anos 90, fracassa rotundamente porque se utiliza justamente da violência como resposta à violência, com resultados cada vez menos eficientes, porque coloca criminosos e policiais na linha de tiro matando-se mutuamente, aumentando ressentimentos, colocando pobres contra pobres, enquanto que as classes dominantes se cercam de segurança particular para usufruir das riquezas às quais a maioria esmagadora da população não tem acesso.  

Ainda há setores de extrema-esquerda que também defendem a revogação do Estatuto, embora por razões diferentes, pois o consideram uma medida burguesa para tirar das mãos dos trabalhadores as armas de uma possível revolução social. Mas devido ao grau de alienação ser ainda tão monstruosamente elevado entre as classes trabalhadoras brasileiras, era bem capaz deles pegarem em armas para barrar uma revolução, ao lado dos seus patrões, em vez de apoiá-la...

Os números comprovam: quanto mais armas em circulação, maior é o número de homicídios. Especialistas em segurança pública já disseram que a revogação se trata de um retrocesso. Afora isso, temos que grande parte dos deputados da Câmara receberam doações de fabricantes de armas, com a Taurus, por exemplo. Daí vocês tirem as conclusões sobre as verdadeiras razões desse assunto ter sido mais uma vez trazido à tona nessa nossa legislatura. Será que eles querem mesmo a paz, ou apenas eliminar pessoas indesejáveis com armas de fogo compradas de uma dessas indústrias de armamentos que os financia?