Panorâmica Social

Denúncia das injustiças da plutocracia brasileira e mundial

13 de outubro de 2014

Caso Petrobras: uma tacada de mestre da Globo

petrobras

A Petrobras é, sem sombra de dúvidas, um símbolo nacional. Criada por Getúlio Vargas nos anos 50, numa época em que muitos duvidavam da capacidade brasileira para um empreendimento de tamanho vulto, hoje a empresa é uma das mais bem-sucedidas do planeta, tornando-se um orgulho para o país.

Talvez por isso mesmo, a Petrobras tenha sido uma das poucas empresas estatais que, nos aos 90, escaparam da sanha privatista do governo Fernando Henrique Cardoso – aquele que prometeu, assim que tomou posse, destruir o legado getulista. Vontade não faltou ao governo, tanto que sua estratégia era reduzir a exploração petrolífera, desmembrar a área de refino, inibir os investimentos e assumir os custos para o lucro ser facilitado para as empresas privadas, o que fatalmente “levaria à privatização, ao desmembramento e a um enfraquecimento da Petrobras” conforme denunciou à Folha o ex-presidente da empresa, Sérgio Gabrielli. Até uma nova logomarca com um nome internacionalizado (Petrobrax) foi pensado para facilitar o processo.

Por conta disso, os tucanos ficaram marcados negativamente, e os petistas sempre souberam explorar esse fator Petrobras em época de campanha eleitoral para desestabilizar as candidaturas de José Serra e Geraldo Alckmin em 2006 e 2010, respectivamente. Mas, nesta eleição, a Petrobras virou trunfo dos tucanos, não dos petistas. Por quê?

Tudo acontece em setembros pré-eleitorais

Aécio Neves precisa agradecer à Rede Globo e às revistas semanais como a Veja. Se, durante as campanhas anteriores, a emissora explorou politicamente, sempre em épocas pré-eleitorais, casos isolados através de denuncismo politiqueiro, como o “escândalo dos aloprados” (29 de setembro de 2006) ou o suposto tráfico de influência de Erenice Guerra (11 de setembro de 2010) – todos posteriormente inocentados quando baixou o fogo da campanha eleitoral – dessa vez ela foi no cerne da baixaria e acertou a maior empresa brasileira, jogando a suspeita de “corrupção” sobre a Petrobras, neutralizando assim a maior arma do PT contra os tucanos.

A tática se repete: uma revista publica a “denúncia” nas vésperas do pleito eleitoral, que repercute durante dias no Jornal Nacional, atingindo em cheio a credibilidade do governo petista junto ao eleitorado, garantindo pelo menos, o segundo turno para os tucanos. Dessa vez, são vazamentos do depoimento do ex-diretor da Petrobras, Paulo Roberto Costa e do doleiro Alberto Youssef à Polícia Federal que viraram “escândalo”, num clima de vale-tudo que envergonha a classe jornalística.

Impossível não voltar a repetir a mesma conclusão: nunca o PT esteve tão perto de perder o governo, perigo que se cristaliza a cada nova eleição, por sua apatia em atacar seus adversários de frente. Se, por ventura, conseguir superar o clima de golpe e denuncismo da imprensa que paira no país, tem por obrigação, de uma vez por todas, trabalhar pela democratização e pluralização dos meios de comunicação. O que a Rede Globo tem feito esse ano é um crime, e ela só faz isso porque os Marinhos reinam no seu império intocável de rádio, TVs, jornais, mídias eletrônicas, e etc. É preciso atacar esse câncer brasileiro de uma vez por todas.

2 comentários:

  1. Deveria sentir-se envergonhado como historiador. Um dos primeiros princípios que deve nortear um compromissado com a História é sua imparcialidade e apresentação dos dados fáticos. Seu alinhamento esquerdista é vergonhoso. Deve inclusive justificar as ditaduras de esquerda e atacar as de direita quando seu compromisso ético seria, ou deveria, repugnar ambas.

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    1. Fábio Nepomuceno, tudo bem?
      Eu me sinto muito orgulhoso como historiador e professor. A imparcialidade eu guardo para a sala de aula, onde, apesar disso, não significa ausência de senso-crítico.
      Mas estamos no meu blog pessoal, aqui não existe imparcialidade. Eu tenho lado, e o lado que eu escolhi é o das classes trabalhadoras, dos direitos humanos, dos pobres, dos negros, dos homossexuais, e de todos aqueles que de alguma forma, sofrem o peso da suposta "liberdade" que você deve achar que vivemos no Brasil. Liberdade de oprimir e atacar aquilo que não se enquadra no seu modelo ideal, pra mim não é liberdade.
      Não sou "esquerdista", sou militante socialista, e tenho a capacidade de fazer crítica aos sistemas socialistas que, por conta da pressão dos países ditos "desenvolvidos", são obrigados a se fecharem em sistemas autoritários para não sucumbirem a golpes com ajuda internacional como ocorreu com Goulart em 1964 (que nem socialista era) ou Allende no Chile em 1973. Sou capaz de entender esse contexto para não repetir o senso comum propagado pelas mídias: de que os países socialistas seriam ditatoriais em essência e os países liberais seriam democráticos em essência. Nada mais falso do que isso.
      Entre o capital e o social, eu tenho lado sim, e é o do social.
      Um grande abraço e obrigado pela participação.

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