15 de agosto de 2014

Marina Silva não é “terceira via”

Marina SilvaEduardo Campos era considerado por analistas políticos o candidato a presidente da “Terceira Via”. Com o seu recentemente falecimento num trágico acidente aéreo, ainda se discute quem assumirá o seu lugar na chapa, mas enquanto alguns analistas apontam o fim da “Terceira Via” nas eleições de outubro, outro consideram a sua vice, Marina Silva, como herdeira natural desta corrente. Mas o que exatamente representa esta suposta terceira via na política nacional? Ou quais são as outras duas vias? (se é que elas são mesmo duas).

A Terceira Via

A “Terceira Via” nasceu como uma corrente reformista da social-democracia que visava conciliar dois paradigmas que rivalizaram durante grande parte do século XX: o liberalismo (Primeira Via) e o comunismo (Segunda Via). Políticos como Tony Blair, Bill Clinton e Fernando Henrique Cardoso representaram, mais tarde, a aliança da Terceira Via com as propostas neoliberais, assim que chegaram ao poder em seus respectivos países, influenciando outros governos com a ajuda de instituições econômicas como o FMI e o Banco Mundial, que passaram a condicionar seus empréstimos financeiros de acordo com a aplicação desse modelo político-econômico, especialmente a partir dos anos 80.

Basicamente, a Terceira Via seria a síntese das propostas da esquerda e da direita, ao se apresentar como representante de uma política econômica conservadora associada a uma política social progressista.

Marina, a Terceira Via?

Na atual corrida eleitoral brasileira, vem-se tentando emplacar a ideia de que Marina Silva seria uma representante dessa vertente. A própria candidata ajuda a alimentar a ideia, ao dizer que não é “nem de esquerda, nem de direita”. Muitos analistas parecem ter aderido a esta alegação, e usam o termo “terceira via” de modo um tanto arbitrário para definir a linha política da candidata. Uma rápida pesquisa na internet mostra que jornalistas importantes como José Roberto de Toledo, Zuenir Ventura, Elio Gaspari e Merval Pereira, entre outros, consideravam Eduardo Campos e Marina Silva representantes de uma terceira via, em oposição à polarização entre um PT supostamente socialista de mais e um PSDB neoliberal de mais nessas últimas eleições.

Mas a verdade é que isso é pura fantasia. No máximo, a Marina pode ser apenas uma "terceira opção" à falsa polarização entre PT e PSDB, não uma outra "via". Na verdade, as três principais candidaturas a presidência representam rigorosamente a mesma via, a via do capital maquiado de social – exatamente como se propõe a ser a Terceira Via. Não existe nem uma segunda via entre Aécio, Dilma e provavelmente Marina, quanto mais uma terceira. Marina Silva não representa, então, uma terceira via, e sim uma terceira opção de uma mesma via – Talvez ainda mais conservadora que as outras duas.

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