28 de junho de 2014

Qual vai ser a próxima vergonha da classe média brasileira?

Eles já foram contra o programa Mais Médicos – alguns deles se prestaram, inclusive, a recepcionar alguns médicos estrangeiros com vaias nos aeroportos –; eles já tiraram fotos com o Caveirão da Polícia Militar; eles já xingaram a presidente da República com o mais baixo dos palavrões na abertura da Copa no Brasil e, não satisfeitos, protagonizaram agora uma das mais raras cenas de grosseria: vaiaram o hino nacional de um país vizinho numa disputa pela Copa do Mundo. Aonde esses brasileiros de classe média que enchem os estádios, educados nas melhores escolas do país, aprenderam a ser tão vis?

Parece que a melhora de vida da população pobre brasileira, muito abaixo do que o governo gosta de propagar e baseado apenas no poder de consumo e não no nível de educação e formação profissional, anda mexendo com os brios das classes médias urbanas, popularmente conhecidas hoje em dia como “coxinhas”. Não cansam de nos envergonhar com suas atitudes patéticas, seus valores burgueses tacanhos e seus eternos preconceitos de classe, de gênero e de raça. Sua metralhadora anda atirando para todos os lados.

O que nos espanta, em se tratando de pessoas que supostamente possuem um grau de educação escolar mais elevado, é a fragilidade de suas convicções. Conversando com muitos deles, percebemos que a base de tanto ódio, tanto preconceito, é apenas um boato propagado pela imprensa aqui, um clichê absurdo compartilhado pela internet ali, um disse-me-disse acolá, um ouvi dizer pra aqui, um “li na Veja” pra lá... E assim temos toda uma classe (com exceção dos que pertencem a ela, mas a renegam) tendo comportamentos e pensamentos tão simplórios e vergonhosos.

Gostaria de ter a experiência de ver o Brasil enfrentando a seleção dos Estados Unidos, com a numerosa torcida estadunidense a cantar o seu hino a plenos pulmões no estádio. Será que o comportamento desse pessoal, que adora porcarias enlatadas dos norte-americanos, que bajula os anglo-saxões como cães adestrados, que batiza suas lojas com nomes em inglês, que gozam férias em Miami ou Nova Iorque, seria o mesmo? Sou capaz de apostar que não. Isso porque a classe média brasileira tem a ideologia colonizada, a síndrome do vira-latas estampado no seu DNA. Isso não explica tudo, mas grande parte desse comportamento esdrúxulo que eles vêm apresentando ultimamente.

Qual será a próxima sandice dessa burguesia desvairada e piegas que se diz “brasileira com muito orgulho e com muito amor”? Dilma Rousseff vai entregar pessoalmente a taça de campeão mundial na final da Copa do Mundo no Maracanã. Será que os coxinhas cariocas vão repetir os coxinhas paulistas e hostilizar a presidente da República para 3 bilhões de pessoas assistirem ao vivo, ou dessa vez terão um pouco mais de dignidade? Vamos ver.

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