Estudo científico comprova: partidos brasileiros não são todos iguais

Não é fácil identificar, através do discurso dos políticos, as diferenças da linha ideológica que os partidos defendem. Muito menos se formos nos guiar pela nomenclatura dos partidos: partidos “progressistas” com atuação conservadora, partidos dos “trabalhadores” que atuam magistralmente a favor do patronato e do capital, e assim por diante. Por isso não é de admirar que muitas pessoas, levadas pelo senso comum, acreditem que os partidos brasileiros sejam todos iguais, o que não é e nunca foi verdade.

Se alguém precisava de uma prova científica para mudar essa ideia, ela nos foi proporcionada pelo PoliGNU (Grupo de estudos de software livre da Escola Politécnica da USP) que realizou uma pesquisa na qual se faz uma comparação numérica sobre a atuação dos distintos partidos da Câmara de Deputados. (Veja detalhes do estudo no PoliGNU).

Tomando por base 92 votações na Câmara sobre os mais distintos assuntos, eles compararam como se posiciona em cada tema os diferentes partidos. O resultado pode ser visto no gráfico abaixo:

 

Tabela dos deputados

 

A partir do centro da imagem, que representa o centro do espectro político-ideológico, temos dois eixos e quatro direções básicas: direita, esquerda, situação e oposição. O eixo horizontal diz respeito ao apoio ao governo (situação ou oposição) e o eixo vertical corresponde à ideologia política (direita ou esquerda) Quanto mais afastado do centro, mais definido e coerente o partido se apresentou nas votações.

Pelo gráfico, podemos tirar algumas sentenças: apesar de se dizerem progressistas, os representantes do PT e seus aliados votaram com uma agenda conservadora (que os posiciona na parte de baixo da linha horizontal, ou seja, no espetro político da direita; O PCdoB, quem diria, se posiciona mais à direita do que tradicionais partidos conservadores, como PR, PRB ou PTB; O PSOL é o partido mais à esquerda do espectro político nacional, e radicalmente diferente da maioria; O gráfico também ilustra e derruba uma das maiores falácias da militância petista: apesar de ambos se posicionarem na oposição, o gráfico mostra que PSOL e PSDB votam completamente diferentes no Congresso – ou seja, não existe a menor afinidade política entre esses dois partidos, sendo que a única coisa que têm em comum é a oposição ao governo (fato devidamente explorado pelos petistas). Por outro lado, são os próprios deputados petistas que votam com a direita, como ficou demonstrado.

A conclusão mais importante que podemos tirar desse estudo é que existem sim linhas ideológicas bem definidas por trás das aparências. E que os partidos mantém uma coerência que pode ser verificada em suas votações na Câmara. Portanto, mais do que nunca, fica evidenciado de que os partidos brasileiros não são todos iguais. Cabe aos eleitores buscarem saber através de informações como votam (e para quem votam) os deputados, e este estudo é uma ótima ferramenta para se começar a desmistificar os sensos comuns da política nacional.

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