Rodrigo Constantino, o reaça-boy da direita brasileira

Rodrigo ConstantinoA Veja está de parabéns. Em nenhuma outra fase, a revista conseguiu reunir uma turma de colunistas que representasse tão fielmente a linha editorial-empresarial-burguesal-reacional-conservadoral-direital do semanário, que todos os dias se esmera em superar as suas próprias verborreias recheadas do que há de pior no cérebro de um ser humano. Olavo de Carvalho também se sentiria em casa na redação da publicação, mas até para a Veja, o astrólogo carece de capacidade.

O mais novo reaça-boy da praça tem se empenhado para superar seus colegas em ser o preferido das classes mais odiosas do Brasil, e para isso não perde nenhuma oportunidade de atacar a dignidade alheia. Rodrigo Constantino se intitula “um liberal sem medo de polêmica”; já a revista Época o chamou de “um dos novos trombones da direita brasileira”. Mas o que ele é mesmo é um filhote de Bolsonaro, um burguês “bem-nascido” que muito provavelmente foi criado desde cedo no ambiente de uma família conservadora recheada dos velhos preconceitos de classe. Constantino poderia tomar consciência desse fato, equilibrar as suas análises sociais com ressalvas a este respeito, mas em vez disso, ele preferiu assumir a sua condição de reaça direitista orgulhoso, e partiu para levantar as bandeiras do conservadorismo xiita brasileiro.

Os inferiores do rolezinho

Uma boa oportunidade apareceu para Constantino quando jovens da periferia de São Paulo, no embalo do funk-ostentação, resolveram organizar rolés nos shoppings da cidade. Foi o suficiente para as classes médias brancas se aterrorizarem com a imagem de pobres e negros ousando frequentar o mesmo espaço que as dondocas e os almofadinhas. Então Constantino não pensou duas vezes. Pegou o megafone e bradou em nome de sua gente. E defecou pelos dedos na sua coluna.

Quando as mídias já tinham abandonado os primeiros adjetivos precipitados e depreciativos para qualificar um fenômeno que ela ainda não conhecia bem, Rodrigo Constantino ainda insistia em chamar as aglomerações de jovens como “arrastão”. Também não se furtou a usar de forma bastante clichê as categorias caras aos burgueses como “invasão da propriedade privada” (alerta ligado), ataque à civilização (!?) e coisas ainda mais ridículas.

Para se ter ideia do nível deste cidadão, Rodrigo acha “normal” que os seguranças – eles próprios, segundo o colunista, membros das “classes humildes”, e que por isso, erram – usem parâmetros como cor de pele para abordar possíveis delinquentes, porque “eles seguem um ponto de vista estatístico: se a maioria de casos envolvendo pivetes nesses estabelecimentos ocorrer pelas mãos de pessoas com determinado estereotipo então parece natural, apesar da afetação politicamente correta, que os seguranças ficarão mais atentos e preocupados quando alguém com tal tipo adentrar o local”.

O mais divertido de ver essa gente argumentar é observar as comparações mais estapafúrdias que eles lançam mão para explicar seus pontos de vista – e que acabam reforçando ainda mais a repulsa que sentimos por eles: ele acha, por exemplo, que todo mundo deve ficar atento quando um negro adentra um shopping, do mesmo modo que os judeus ficariam com um sujeito com turbante e mochila entrando em uma sinagoga (!!??). Ele pode ser apenas um turista, claro, mas seria compreensível que os guardas ligassem o sinal de alerta. Ele também preenche melhor o perfil do típico terrorista…

Mas a superação de todas as imbecilidades já ditas sobre os rolezinhos em São Paulo pelo dito colunista se deu recentemente quando o próprio disse:

Não toleram as “patricinhas” e os “mauricinhos”, a riqueza alheia, a civilização mais educada. Não aceitam conviver com as diferenças, tolerar que há locais mais refinados que demandam comportamento mais discreto, ao contrário de um baile funk. São bárbaros incapazes de reconhecer a própria inferioridade, e morrem de inveja da civilização

Diante da péssima repercussão de tão famigerada tolice, o reaça que ostenta um bigodinho revelador se viu obrigado a produzir outro texto, não apenas para se explicar, é claro – se desculpar então, nem pensar --, mas para nos acusar, os inferiores, de não termos tido capacidade intelectual de entender suas sábias palavras.

Para disfarçar o seu complexo de vira-latas em relação às ditas “culturas superiores”, ele desviou o foco, insinuando que não se referia ao nazismo. Mas é óbvio que não!!!

Todo mundo sabe que os conservadores da direita brasileira tem uma queda pelo nazi-fascismo, mas como um bom alienado neoliberal, Constantino estava se referindo mesmo aos Estados Unidos, paraíso dos shoppings e das classes médias brasileiras xenófilas e brasileiro-fóbicas, fiéis aos donos como um bom cão doutrinado sabe ser.

Para fechar, um detalhe revelador: Constantino se acha superior, no mesmo patamar civilizatório do que seus amados senhores estadunidenses e europeus, em detrimento dos seus compatriotas brasileiros das classes mais baixas. No entanto, percebam: aos olhos de um estrangeiro de país realmente desenvolvido que seja tão ridículo quanto ele próprio, este imbecil grotesco é visto exatamente como ele vê os pobres e os negros brasileiros. Olham para ele e veem um coitado sul-americano "inferior" e riem de sua pretensão de se achar em pé de igualdade com os tais "civilizados". E perguntariam exatamente o que Constantino diria para um rolezeiro paulistano: “Por que você não se põe no seu devido lugar? Nunca será um de nós!

Que grande ironia, não?

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