11 de novembro de 2013

Documentos comprovam sabotagem contra governo venezuelano

Nicolas MaduroAo longo da turbulenta história do capitalismo, duas situações constantes vem acontecendo sistematicamente nos países periféricos: o aumento colossal do fosso da desigualdade econômica e social por um lado, e por outro a reação das classes favorecidas, com apoio dos países centrais, contra qualquer tipo de ameaça ao modelo. Para isso, não se furtam a lançar mão dos meios mais sórdidos, cruéis, assassinos e covardes de que possam dispor para alcançar seus objetivos.

Um longo histórico de golpes e sabotagens

Um dos meios mais comuns de salvaguardar os interesses capitalistas é a associação dos serviços secretos dos países mais avançados com os pequenos setores das burguesias locais nos países periféricos, dispostos a contar com o financiamento estrangeiro, apoio logístico e até fornecimento de armas para golpes, sabotagens, campanhas difamatórias e desestabilização de governos que por ventura ameacem os lucros das grandes corporações capitalistas internacionais associadas com estas classes dominantes.

Diversos são os exemplos históricos e alguns deles bastam para ilustrar essa tendência, como a intenção do serviço secreto londrino de cogitar um golpe militar para derrubar a Revolução Russa nos anos 20; a derrubada do governo nacionalista iraniano nos anos 50 e consolidação de um déspota que recolocou o país de joelhos perante os interesses das petrolíferas anglo-americanas, com a participação do Mossad (serviço secreto israelense); os diversos golpes de Estado tramados na América Latina com o apoio da CIA nos anos 60 e 70 – inclusive no Brasil –, enfim: os governos e empresários capitalistas não têm limites quando o assunto é garantir seus interesses.

Venezuela luta contra sabotadores

Mas tudo isso foi dito para lembrarmos o contexto do que vem acontecendo na Venezuela: as grandes dificuldades por que vem passando a economia daquele país, francamente hostil aos interesses capitalistas de Washington, fruto de locautes planejados pelo empresariado local com apoio internacional. O método escolhido pelas burguesias venezuelanas lembra o locaute de que foi vítima Salvador Allende no Chile, em 1972, quando os caminhoneiros chilenos, com franco apoio da CIA, resolveram parar o país para prejudicar o abastecimento de produtos básicos, na intenção de desestabilizar a economia, afetando então a popularidade do governo progressista que ameaçava seus interesses de classe. Como apoio da imprensa, tentaram culpar a suposta incompetência do governo para preparar o golpe. Exatamente como vem ocorrendo na Venezuela.

Não é de hoje que os empresários venezuelanos tentam sabotar o governo. Chávez já havia passado pelo mesmo problema, e agora Nicolás Maduro trava uma guerra contra estes setores. A imprensa mais uma vez cumpre seu (mau) papel de agitador político ao alarmar os problemas com abastecimento, colocando a culpa diretamente no presidente.

Mas a culpa é mesmo do presidente?

Esta semana foi publicado um documento de junho deste ano intitulado “Plano Estratégico Venezuelano” da Fundação Internacionalismo Democrático, do ex-presidente colombiano e capacho do governo estadunidense, Álvaro Uribe, junto com a Fundação Centro de Pensamiento Primero Colombia e a empresa estadunidense de consultores FTI Consulting, durante uma reunião entre representantes dessas três organizações, dirigentes da oposição venezuelana, como María Corina Machado, Julio Borges e Ramón Guillermo Avelado, o especialista em guerra psicológica, J.J. Rendón e o encarregado da Agência Internacional de Desenvolvimento dos Estados Unidos (Usaid) para a América Latina, Mark Feierstein. O conteúdo deste documento não usa de meias palavras para indicar, no campo das “Ações”, o que é preciso fazer para provocar a queda do governo democraticamente eleito. Destacamos duas passagens importantes:

documento sabotagem

Clique AQUI para ver os documentos originais

Conforme podemos ver claramente no documento, estes membros, com interesses particulares e ligações com o capitalismo internacional indisfarçáveis, estão por trás da campanha de desestabilização que o governo venezuelano enfrenta atualmente. Sua intenção é criar um clima desfavorável ao governo para as eleições municipais de 8 de dezembro, favorecendo a eleição da oposição. Para isso, não se furtam de mentir, sabotar, e até de provocar “mortos e feridos”, desde que isso possa favorecer suas intenções.

Mais uma vez, estamos diante da falta total de escrúpulos do poder econômico em vias de atropelar a vontade soberana de um povo. Interesses mesquinhos, baseados no lucro capitalista, planejam derrubar um governo democraticamente eleito, reeleito e referendado num dos sistemas eleitorais mais eficientes e democráticos do mundo. O golpe, o jogo sujo, a baixaria, a mentira, as mortes, nada é demais para essa gente, em se tratando de assegurar seus privilégios em aliança com o capitalismo internacional. Tudo isso que o socialismo bolivariano da Venezuela está enfrentando naquele país. E vai vencer.

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