Jair Bolsonaro não serve mais para o mundo atual

bolsonaro-randolf

Por mais que tentemos compreender, é difícil entender como uma pessoa de atitudes tão fascistas, preconceituosas, tresloucadas, provocativas e inconsequentes ainda consegue ser eleita e reeleita inúmeras vezes no mundo de hoje, numa cidade como o Rio de Janeiro, considerada politizada e crítica. Estamos falando, é claro, do deputado federal Jair Bolsonaro, que protagonizou recentemente mais um caso de pura arbitrariedade. Ao tentar forçar a entrada no 1° Batalhão de Polícia do Exército, na zona norte do Rio, o deputado, impedido de entrar – ele não faz parte da Comissão Estadual da Verdade do Rio de Janeiro e não estava na lista dos integrantes da visita ao local onde funcionou o Destacamento de Operações de Informações/Centro de Operações de Defesa Interna (DOI-Codi) – agrediu covardemente com um soco na barriga o senador Randolfe Rodrigues.

A verdade é que o número de apoiantes das causas bolsonaristas no Rio de Janeiro ainda é enorme nesse momento de transição cultural, política e social em que vivemos, o que explica as sucessivas eleições dele e de seus três filhos, doutrinados nas mesmas ideias do pai, certamente com ferrenha disciplina militar. São pessoas que têm alguma ligação, direta ou indireta, com os círculos militares e com a polícia, e isso sem falar nos católicos da direita, que influenciam as camadas mais pobres a defender o tipo de ideal conservador bolsonarista: família patriarcal, rígida, racista e homofóbica, católica e cegamente patriótica.

Felizmente, atualmente esse modelo vem sofrendo críticas por todos os lados e vem sendo desafiado por novas propostas, mais plurais, mais democráticas e menos preconceituosas. E por isso mesmo vemos a reação crescente desses grupos mais radicais que representam o ideário do passado que agora está desmoronando – cujos representantes máximos na política são justamente Jair Bolsonaro e Marco Feliciano. Como eu já disse uma vez, a reação cada vez maior desses grupos conservadores é o maior indício de que as coisas estão mudando para melhor (o que os deixa inconformados).

Veja também: O que Hitler, Trump e Bolsonaro têm e não têm em comum

Bolsonaro é exemplo do que há de mais abjeto na política e ainda não notou que é um monstro anacrônico que não tem mais vez no mundo atual. Sua reação, ao tentar tumultuar a visita dos membros da Comissão da Verdade no Batalhão de Polícia do Exército, local onde ocorreram inúmeros casos de tortura, é apenas uma tentativa desesperada de manter o silêncio da História sobre o passado negro que ele representa. Nesse momento, a sociedade brasileira vive uma batalha para decidir se recupera esse passado criminoso para fazer justiça e impedir que jamais tenhamos de novo que conviver com o fascismo, ou se mantemos a sujeira debaixo do tapete, e continuamos a dar cartaz para figuras nefandas como Jair Bolsonaro.

Postagens mais visitadas deste blog

Voz de prisão. Na teoria, uma coisa, na prática, outra bem diferente

Qual é o termo gentílico mais adequado para quem nasce nos Estados Unidos?

Deputados contra a Reforma da Previdência: consciência política ou barganha pelas emendas parlamentares?

Como os homens manipulam a “vontade de Deus” de acordo com suas necessidades: a questão do lucro