Panorâmica Social

Denúncia das injustiças da plutocracia brasileira e mundial

3 de setembro de 2013

Conheça a farsa que levou os Estados Unidos para a Guerra do Golfo em 1991

tempestade no deserto

Os Estados Unidos precisam de uma guerra. Sua economia é praticamente voltada para o conflito armado. A indústria bélica é poderosa e é um dos sustentáculos de qualquer governo, junto com o sistema financeiro. Por isso, se eles não conseguem uma guerra, eles tratam de inventar uma. E pra isso não se furtam de mentir descaradamente para o mundo.

foto de criança saltando corpos na Síria é uma farsaO Secretário de Estado norte-americano, John Kerry, abriu seu discurso da última sexta-feira descrevendo os horrores das vítimas do ataque de arma química na Síria, com uma riqueza de detalhes friamente calculada para impressionar. Para ilustrar seu discurso, Kerry apresentou uma fotografia da BBC mostrando uma criança saltando dezenas de fileiras de cadáveres cobertos com mortalhas brancas. Seriam vítimas que supostamente sucumbiram aos efeitos das armas químicas do regime de Assad, dias atrás.

No entanto, mais tarde foi denunciado que a fotografia usada havia sido tirada em 2003 no Iraque. Ela não tem nenhuma relação com as mortes dos sírios, e depois foi recolhida. Uma tremenda farsa descarada, montada para conseguir o apoio do Congresso e da opinião pública para mais uma guerra insana. Mas não foi a primeira vez que o governo mentiu para justificar uma guerra.

A Guerra do Golfo, em 1990, também baseada numa farsa

As mentiras de George W. Bush sobre as supostas armas químicas que levaram os Estados Unidos à Guerra do Iraque em 2003 são recentes, por demais conhecidas e nem merecem ser lembradas. Mas o que pouca gente se lembra, é que a Guerra do Golfo, em 1990, também foi baseada em outra farsa descarada montada para mais uma guerra.

Em 2 de agosto de 1990, o Iraque invadiu o Kuwait. No mesmo instante, e com uma rapidez e vigor pouco comuns, o ataque foi condenado pela ONU, que, 4 dias depois, impôs sanções ao Iraque.

Nos Estados Unidos, a população se encontrava dividida e parte do Congresso não estava bem convencida sobre a necessidade de intervenção militar dos Estados Unidos no Iraque – lembremos as relações mais do que amistosas entre Saddam Hussein e George Bush (o pai), que tratava o ditador iraquiano como “um aliado precioso e parceiro comercial exemplar”.

Nayirah, Guerra do GolfoNesse exato momento, entra em cena uma pequena jovem chamada Nayirah, que se apresenta em Washington diante do Comitê dos Direitos Humanos da Câmara dos Deputados. Os membros do Congresso e o público norte-americano ficam chocados com o testemunho da jovem kwaitiana de 15 anos que conta, em lágrimas, horrores perturbadores.

Ela descreve como os soldados iraquianos tomaram de assalto um hospital no Kuwait onde ela trabalhava como voluntária, roubaram incubadoras e mataram, ou deixaram morrer, 312 bebês, que agonizaram no chão da maternidade.

As mídias divulgaram a notícia em todo o mundo. Saddam Hussein, de amigo muito querido, passou da noite para o dia a ser “o açougueiro de Bagdá” após o testemunho de Nayirah, e seria um tirano “pior do que Hitler”. O presidente George Bush evocou o testemunho de Nayirah pelo menos cinco vezes em seus discursos nas semanas seguintes, e os partidários da guerra fizeram bom uso desse precioso dado para levar os Estados Unidos à guerra, mesmo que o Iraque, em meados de agosto, tenha proposto uma solução negociada e política para o conflito. O Congresso deu aval e a opinião pública apoiou o envio das tropas norte-americanas ao Golfo.

Mas, depois de rumores e dúvidas que circulavam, desmontou-se a farsa criada*: Nayirah era, na verdade, Nayirah al Sabah, filha do embaixador do Kuwait em Washington. Ela nunca teve qualquer relação com o citado hospital, no qual nada do que ela relatou aconteceu. Seu testemunho era falso e ela fora preparada com cuidado e colocada em cena nos mínimos detalhes pelos dirigentes da Hill and Knowlton, uma empresa novaiorquina de relações públicas. Eles instruíram a pequena jovem com zelo – assim como algumas pessoas que deveriam corroborar a sua história – pela simples e boa razão de que essa empresa acabara de assinar um lucrativo contrato de US$ 10 milhões com os kwaitianos para defender a entrada dos Estados Unidos na guerra. A mentira foi descoberta, assim como se descobriu que o Iraque não tinha armas químicas em 2003. Mas não importava, os Estados Unidos já tinham a sua guerra.

E mais uma vez, outra farsa está sendo montada para uma guerra na Síria, conforme estamos assistindo. Milhares de pessoas vão morrer em nome da indústria bélica e dos interesses estratégicos do capitalismo norte-americano. Quantas vezes mais isso vai precisar acontecer até que o mundo perceba que as guerras norte-americanas são sempre baseadas em mentiras?

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* O relato desse caso foi mostrado por Normand Baillargeon em seu livro Pensamento crítico – Um curso completo de autodefesa intelectual, pp. 192-94

http://www.infowars.com/bombshell-kerry-caught-using-fake-photos-to-fuel-syrian-wa/

12 comentários:

  1. Olá super legal seu blog com ótimo conteúdo gostaria de lhe dar os parabéns e desejar sucesso aqui no seu espaço e que DEUS ilumine seus caminhos e de seus familiares
    Um grande abraço

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    1. Valeu meu camarada, fique à vontade para aparecer e opinar sempre que quiser. Um grande abraço!

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  2. Esse país é uma vergonha mundial, criado de farsa em cima de farsa. E agora com esses casos de espionagem pra cima do Brasil. Eu espero que a Dilma não abaixe a cabeça e dê a resposta que os EUA merece.

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    1. Olá Jorge,

      O pior de tudo são as críticas que a presidente vem sofrendo dos setores mais à direita da política brasileira, especialmente do PSDB. Eles são acostumados a lamber as botas norte-americanas e não gostaram da atitude da Dilma. Mas eu acho que ela está certa. Não somos capachos de ninguém, como pensa Aécio Neves e sua turma.
      Grande abraço.

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    2. E agora, pra piorar, vem aí Eduardo Campos/Marina... Olha o nível da nossa política...

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    3. Demonizar os americanos só por causa dos seus governantes, é o mesmo que demonizar os brasileiros por causa de seus governos,de esquerda ou de direita. Dilma, Lula, FHC, Aécio, são tudo farinha do mesmo saco. Ah, mas o comunismo e o socialismo é uma maravilha melhor que o capitalismo!Taí o exemplo da Coreia do Norte governado por um imbecil e Cuba, governado por um tiranete...é só ver o ultimo video dos cubanos mortos de sede em pleno mar fugindo da ditadura do Fidel. A Dilma não vale nada, tanto quanto Lula, tanto quando a direita. A solução??? É fazer o que o povo vem fazendo, saindo pras ruas e exigir punição para governantes e politicos tanto de esquerda quanto de direita, sabendo-se que nesses protestos se infiltram tanto os direitistas quando os de esquerda, mas todo mundo mais esclarecido sabe discernir quem está tentando usar esse protestos que no seu cerne, é essencialmente anti-partidário.
      ROGÉRIO.

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    4. nada será pior que Dilma, Lula, FHC...e se Marina for pior ,o povo vai sair pras ruas e cobrar um novo impeachment, este é novo poder emanado do povo, a exigência de que eles, de qualquer partido, seja punido...estabilidade no serviço público, em essência, não existe para ninguém, nem para presidente. Há leis, quem não quiser cumprir as leis da sociedade, seja de direita ou esquerda, presidente ou povão, que vá morar numa ilha deserta. Pensem nisso, não adianta ficar nesse maniqueísmo tosco, tipo eu sou de esquerda e sou o bem, eles são direita eles são o mal. Não se pode ideologizar a condição humana, independente de que partido ou ideologia for, vivemos numa sociedade e existem regras, as leis, para serem cumpridas.Um pobre quanto rouba um pote de margarina vai pra cadeia, uma presidente que dá pedaladas fiscais, sem saber ou não, tem que ser punida. Lei é para todos, inclusive pra o Cunha, é fora todos; se contratamos um empregado e ele rouba nossa casa durante anos, vamos continuar com esse empregado ou demiti-lo? Claro que demiti-lo, e é isso que vejo nesses protestos , a vontade do povo de que haja punição de fato, seja o cara de esquerda ou de direita.
      ROGERIO

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  3. Olha eu falo isso há anos, um país capaz de matar seu próprio presidente, jfk, de derrubar dois prédios matando milhares em seu próprio território! Parabéns!

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    1. Verdade ALMA, muito bem lembrado.
      Obrigado e volte sempre.

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    2. vocês da esquerda tem uma visão muito estreita e dualista tanto quanto os de direita, não é o país, mas sim seus governantes, o povo americano trabalhador e honesto é tão manipulado e subjugado quanto os brasileiros o são por a gangue de Dilma, Lula , FHC , Aecio...se o Brasil é tido como o país mais corrupto do mundo, nem por isso seu povo o é por completo.
      ROGÉRIO

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  4. Para CIA

    Gosto dos Estados Unidos, depois do Brasil é o país pelo qual mais me interesso.

    Não sei qual a estratégia deles para a questão Síria mas vou dar minha sugestão.

    Se eu fosse Presidente dos Estados Unidos o que eu faria?

    Uma reportagem feita com iraquianos mostrava que para eles o Iraque está melhor sem Saddam Hussein, mas se queixam de uma coisa:
    “- USA e Inglaterra não ofereceram mais nada aos iraquianos.”

    Fico pensando sobre o que americanos e ingleses ainda tinham que oferecer!
    Os iraquianos queriam ser colônia do USA ou da Inglaterra?
    Conhecendo os islâmicos tenho certeza que não, atentados contra soldados inglese/americanos seriam uma constante.

    Os americanos (e eu) esperavam que uma vez tirado o ditador Saddam, os iraquianos se organizariam democraticamente e começassem a construir um Iraque mais moderno, com mais liberdade política, econômica, religiosa.
    O Iraque “dando certo” poderia induzir outros povos daquela região a seguir o mesmo caminho criando um efeito dominó.
    Teríamos um Oriente Médio menos fundamentalista, mais laico, mais democrático e pacifico.

    Os americanos a meu ver fizeram a parte deles.
    Não, não foram perfeitos, perfeição não existe.
    Tivemos imagens horríveis de cidadãos sendo torturados, mas em uma guerra é difícil manter absolutamente todos sob controle.
    Indivíduos americanos foram processados e punidos pelo excesso.
    Lembre-se que se Saddam tivesse ganho a guerra e seus soldados fizessem coisa parecida seriam até condecorados.
    Radicais islâmicos sequestram e torturam e são ídolos entre os seus.
    Quando o pessoal de Osama colocou abaixo o Word Trade Center matando propositadamente mais de 3000 civis não faltou gente comemorando.
    Osama passou a ser herói no mundo islâmico.
    Alguns militares cometem excesso durante uma guerra no Iraque e demonizamos todo povo americano!!
    Não podemos taxar todo islâmico de terrorista, mas visivelmente o abuso de militares americanos causa muito mais indignação entre os cidadãos americanos que os ataques terroristas causam indignação entre os islâmicos.

    Se a maioria dos cidadão islâmicos não praticariam o ato terrorista em si, minha percepção é que no mínimo 50% o apoiam.
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    Os Iraquianos não acham que a responsabilidade de construir um Iraque melhor é deles querem que americanos e ingleses fiquem responsáveis por isso.

    Com um detalhe, americanos e ingleses não devem tentar mudar a cultura dos iraquianos e nem governar o país.
    Pela vontade dos islâmicos, Inglaterra e USA devem pegar parte dos impostos pagos por seus cidadãos e enviar a fundo perdido para os cidadãos iraquianos para que eles tenham uma vida de abundância.
    O exército americano deve apenas manter a segurança em todas as localidades do Iraque e nas fronteiras fazendo um trabalho de policiamento ... as próprias custas evidentemente.

    Percebem o ridículo da coisa?

    http://filosofiamatematicablogger.blogspot.com.br/2015/10/para-cia.html
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