19 de agosto de 2013

Modelo de universidade privada fracassou

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Muitos privatistas, convictos ou apenas desinformados, defendem a competência e a grande vocação do setor privado para gerir empresas e negócios, especialmente em comparação com o setor público, que, segundo eles, é corrupto e ineficaz. Bom, já existem inúmeras provas de que, na verdade, isso não corresponde com a realidade – vejam os casos, só para ilustrar, da Vale, do metrô do Rio, do sistema de telefonia móvel (o campeão de reclamações do Procon), dos bancos privados, e etc., e etc…— mas acho que essa tese jamais foi tão enganosa quanto no caso das Universidades.

A partir do final dos anos 80, setores cruciais do serviço público que interessavam à cobiça lucrativa do empresariado começaram a sofrer um lento e gradual processo de sucateamento por parte dos governos – os transportes, a educação, a saúde, entre outros –,  fato que veio muito a favorecer o processo de privatização das empresas desses setores nos anos 90. As Universidades públicas também fizeram parte desse processo. Mas apesar de sucateadas, seu desmantelamento não foi completo devido à forte resistência da Academia, e as Universidades públicas puderam manter um certo nível de excelência. No entanto, isso não impediu que começassem a proliferar diversos cursos e faculdades no setor privado.

Duas dessas instituições, a UniverCidade e a Gama Filho, no Rio de Janeiro, desde 2011, quando foram assumidas pelo grupo Galileo, apresentaram enormes dificuldades financeiras, que já eram graves antes mesmo do grupo assumir a gestão, mas que pioraram consideravelmente nos últimos tempos. Além delas, a Cândido Mendes e outras instituições privadas na cidade estão em plena crise financeira, o que culminou até numa CPI na Alerj para tratar do tema. Apesar do lobby dos empresários do ramo e do abandono dos governos na área de educação, está provado mais uma vez a falácia de quem acredita que o setor privado tem um cacife natural para gerir empresas enquanto o Estado não deve se meter nessas áreas de atuação.

Tudo isso só acontece porque a sociedade brasileira se acostumou a achar normal que setores tão essenciais e estratégicos para o país, quanto a saúde, os transportes e, nesse caso, a educação de nível superior fossem tratados como negócios para darem lucros a uns poucos empresários inescrupulosos. Assim, por exemplo, enquanto o ex-banqueiro Ronald Guimarães Levinsohn, dono da UniverCidade, na transferência de controle para o Galileo Educacional, ficou com uma indenização de R$ 100 milhões, e a família Gama Filho embolsou um total de 134 milhões para ceder a marca ao grupo, centenas de professores estão há meses sem receber e milhares de alunos não sabem se vão se formar, apesar de pagarem uma fortuna em mensalidades.

Esse modelo mercantilista de fazer educação já está mais do que fadado ao fracasso. Só falta algumas pessoas começarem a entender isso, e passarem a apoiar uma educação pública, gratuita e de qualidade para todos. 

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http://oglobo.globo.com/educacao/gestao-de-grupo-financeiro-agrava-crise-na-gama-filho-univercidade-9518134

http://oglobo.globo.com/rio/crise-financeira-poe-em-risco-formacao-de-estudantes-na-gama-filho-na-univercidade-7822817

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