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Mostrando postagens de Julho, 2013

Jogo de aparências no destino de Guaratiba

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Depois do fracasso retumbante que se tornou a “terra prometida” no Campus Fidei (por que persiste essa tendência católica em manter viva uma língua morta?) ou, em bom português, no Campo da Fé, em Guaratiba, e também por conta da enorme repercussão negativa pelas redes sociais dos gastos inúteis em estrutura num evento que não aconteceu por falta de estrutura, é claro que a Igreja e as autoridades iriam estudar uma forma de limpar a barra da organização da Jornada Mundial da Juventude. Primeiro foi o prefeito do Rio, que anunciou a desapropriação por via judicial do terreno para a construção de um conjunto habitacional “para os mais pobres”. Depois foi a Igreja Católica que, apesar de ter vindo ao Brasil “sem ouro nem prata”, como tratou logo de avisar Sua Santidade o papa Francisco, “investiu ali muitos recursos que não poderiam ser desperdiçados”, segundo Eduardo Paes. Mas não, a Igreja não está cobrando o prejuízo. O investimento vai ficar como “doação”. Nada mais justo, para quem …

Conflitos de classes nos hospitais públicos brasileiros

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Nunca a imagem dos médicos esteve tão arranhada no Brasil. Nem tanto pela inacreditável oposição desses profissionais à vinda de colegas estrangeiros ao país, para cobrir o enorme déficit de médicos pelo interior – onde se recusam a trabalhar, sob as mais variadas desculpas – nem pela grita contra os dois anos de estágio no SUS determinado pelo governo para tentar aliviar essa deficiência, inclusive nos grandes centros, mas pelos inúmeros casos de frieza, descaso, faltas, fraudes em plantões, negligência e indiferença que começaram a vir à tona por todos os lados – e que fizeram até o Ministro da Saúde dizer que era preciso “humanizar” os profissionais no trato com seus pacientes.   No seu livro já bastante citado por aqui, A Ralé Brasileira – Quem é e como vive, o professor Jessé Souza abre espaço na segunda parte aos autores colaboradores, como Lara Luna, doutoranda em Sociologia Política pela UENF, que traz casos reais daquilo que Jessé trata na primeira parte do livro: as diferenç…

JMJ caiu do céu para as elites brasileiras

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Ao contrário do que muita gente pensa, os verdadeiros ateus não têm uma postura radical e definitiva com relação à existência ou inexistência de deus. A grande maioria, depois de uma reflexão de anos e uma busca frustrada por evidências, concluiu que é muito improvável (e aqui o termo é usado de forma precisa) que ele exista. Mas isso não quer dizer que as buscas tenham terminado – o ateu vive a expectativa de sempre poder ter uma prova de que deus exista realmente.Aqui, vamos supor que essa tão esperada evidência decisiva tenha sido encontrada, e que todos nós tenhamos descoberto que ele esteve aqui esse tempo todo. Mas então, de que lado ele estaria?Ao admitir que ele tenha existido de fato e que, tal como creem os teístas, influenciado no curso dos acontecimentos históricos, então o nosso suposto deus parece que tem uma atitude “política” das mais questionáveis…Vamos ver alguns rápidos exemplos ao longo de sua “existência”, do que ele teria sido capaz para manter a “ordem” estabele…

Secretários fora da reunião com Sérgio Cabral; comandantes das polícias, dentro.

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Vejam como o governo do Estado do Rio tenta resistir à realidade das ruas, cavando a sua própria tumba política. Para avaliar o momento grave de descontentamentos e revoltas, serviços públicos de qualidade abaixo do suportável, suspeitas graves de irregularidades no relacionamento com amigos poderosos e favorecimento de empreiteiras e empresários em licitações, o governador convoca uma reunião de fachada emergência para esta manhã. Esperava-se que Sérgio Cabral, de bom grado, tivesse ouvido os clamores populares e finalmente decidido reconhecer: é preciso uma medida corajosa e determinada para solucionar o descaso do governo em áreas tão vitais para o Rio a curto e médio prazos. Mas os secretários Sérgio Côrtes, da Saúde, Wilson Risolia, da Educação e Júlio Lopes, dos Transportes, não participaram. Não senhor, esses continuam calados e sumidos. Na mesa de reuniões, estavam, além de Cabral e de Beltrame, secretário de Segurança Pública, a chefe da Polícia Civil, Martha Rocha; o comanda…

Desvendando o segredo da desigualdade social brasileira

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Uma das qualidades mais decisivas do livro do professor Jessé Souza, A Ralé Brasileira – Quem é e como vive, o qual estamos resenhando nas últimas postagens, sem dúvida é o esclarecimento de como a hegemonia do economicismo serve ao encobrimento dos conflitos sociais mais profundos e fundamentais da sociedade brasileira, como toda visão superficial e conservadora do mundo. Nessa postagem vamos discutir os mecanismos ocultos e a reprodução das desigualdades sociais analisadas pelo autor, que permitem a perpetuação de um dos mais graves problemas brasileiros, que é justamente esse abismo colossal entre ricos e pobres.Na crença fundamental da visão economicista de mundo, segundo o autor Jessé Souza, O marginalizado social é percebido como se fosse alguém com as mesmas capacidades e disposições de comportamento do indivíduo da classe média. Por conta disso, o miserável e sua miséria são sempre percebidos como contingentes e fortuitos, um mero acaso do destino, sendo sua situação de absol…

O economicismo e suas consequências para a desigualdade social

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Que o Brasil viva sob uma colossal, desumana e degradante desigualdade social, não é novidade para ninguém. O fato mais intrigante disso, porém, é que possamos conviver com esse aspecto lastimável da sociedade brasileira sem nos importar muito, como se fosse a coisa mais natural do mundo. Para expor as engrenagens ideológicas que legitimam e permitem esse tipo de comportamento conformista, bem como as consequências diretas para milhões de desclassificados da pobreza, o professor e sociólogo Jessé Souza escreveu o excelente livro A Ralé Brasileira – Quem é e como vive. Conforme o prometido, a começar de agora, pretendo vir trazendo os assuntos mais importantes e esclarecedores tratados pelo professor no livro para entendermos de uma vez por todas o que está por trás da nossa sociedade dividida entre aqueles poucos que tudo tem, aqueles muitos que não têm nada e aqueles que têm um pouco e por isso acham tudo isso muito normal. Legitimando a desigualdadeOs jornais, a TV, as mídias em g…

Como se perpetuam os mitos da sociedade brasileira

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Quantas vezes na vida, ao olharmos o quadro social em que vivemos, nos sentimos como o Neo (personagem principal da famosa trilogia Matrix do cinema norte-americano) que sabe que há algo de errado com o mundo, mas que não é capaz de identificar sozinho exatamente o quê? Infelizmente não podemos contar com um Morpheus, que surge na trama para mostrar ao protagonista da série o que está por trás da realidade. Mas, ao menos, podemos ter excelentes explicações para os problemas sociais brasileiros, a perpetuação das desigualdades econômicas e as falsas teorias sociais que iludem e legitimam a perpetuação desse quadro, ao lermos o excelente livro do doutor em Sociologia e professor da Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF), Jessé Souza: A Ralé Brasileira – Quem é e como vive. O termo “Ralé” identifica aquela parcela da sociedade brasileira que é sempre alijada de qualquer benefício, que está sempre apartada das conquistas materiais em comparação com aquela parcela ínfima de abastados,…