27 de junho de 2013

Um novo tempo de democracia via internet

Democracia AtenienseA democracia nasceu e se desenvolveu por volta do século V AEC, em Atenas; foi transportada para a Roma Antiga; teve seu momento de baixa na longa Idade Média, e renasceu com a burguesia europeia, especialmente a partir do século XVIII. Nessa última fase, teve suas premissas aperfeiçoadas e suas instituições definidas de modo que, bem ou mal, pudéssemos estar ainda vivendo sob sua tutela até hoje nos países do Ocidente. Mas o que todas essas democracias, em distintas fases e peculiaridades tiveram em comum, paradoxalmente, foi a completa ausência de povo no poder – contemplado apenas na letra morta das cartas constitucionais como uma figura abstrata que supostamente seria ao mesmo tempo o executor e alvo, em nome do qual se governa.

E a coisa seria ainda pior, se não fossem as lutas organizadas dos trabalhadores nos últimos 150 anos, que arrancaram das classes dominantes conquistas importantes como o voto feminino, a possibilidade de se eleger independentemente da renda, direito de formar partidos políticos e finalmente, o sufrágio universal, entre outras coisas.

Mesmo assim, durante o século XX as democracias do mundo inteiro não passaram de um puro engodo; a massa trabalhadora e a população, de modo geral, continuaram participando de forma muito limitada da política, e – mais importante – de suas conquistas. Uns mais, outros menos, mas de fato, as elites econômicas pelo mundo afora continuaram a dominar o cenário político e a legislar somente em causa própria na maioria dos assuntos importantes. Tudo isso sob a “vigilância” de outra instituição nascida no seio da burguesia e que teoricamente teria imparcialidade para ser a fiscalizadora contra os desmandos das classes dirigentes – a imprensa, que durante o passar do tempo se tornou em mais um mero instrumento nas mãos das classes dominantes contra os interesses populares.

saimosFoi preciso esperar quase dois mil e quinhentos anos para que algumas populações mundo afora pudessem experimentar o gosto de serem protagonistas das decisões políticas. Foi a internet que forneceu essa possibilidade, derrubando ditaduras no Oriente Médio, organizando protestos no coração do maior império financeiro do mundo – através do movimento Ocupe Wall Street – e permitindo a mobilização social pelas ruas e a delimitação de metas por grande parte da população do Ocidente, já que os partidos políticos não parecem mais representar as massas. Agora podemos assistir in loco esse fenômeno acontecendo no Brasil.

Claro que ainda estamos aprendendo a lidar com essa nova forma de participação política; os grandes representantes do poder econômico, mais calejados nos instrumentos de poder político, também não vão abrir mão de suas prerrogativas assim tão facilmente. Estão, a todo momento, tentando dirigir sutilmente essa enorme massa popular que ora se levanta em todo o Brasil, através dos seus tradicionais canais de convencimento – os meios de comunicação comercial – mas o momento é especial e parece ser um caminho sem volta. A partir de agora, a internet foi definitivamente incorporada no aparelho democrático, onde a população pode, sem intermediação, se organizar e mostrar a sua insatisfação aos dirigentes políticos. Claro que essa nova fase exige organização e foco para que o potencial não se perca em milhões de reivindicações improdutivas, mas vamos aprender com o tempo. O povo deixou de ser aquela figura abstrata das teorias políticas, para ganhar voz e vida nas ruas. Seja bem-vinda, democracia digital!

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