Um Novo partido velho (e não é da Marina)

Novo partido velho

O TSE acaba de oficializar a criação do trigésimo terceiro partido político no Brasil. Trata-se do “Novo”, que utilizará o número 30 na disputa eleitoral e é presidido pelo banqueiro ligado ao Itaú, João Amoedo. O que tem de “novo” um partido de direita com propostas neoliberais na política e na economia?

Tempos atrás, esperando mais de meia-hora na fila quilométrica do 846 na Rodoviária de Campo Grande, na Zona Oeste do Rio, percebi jovens com pranchetas abordando as pessoas. Quando um deles veio falar comigo, pude perceber do que se tratava: era o recolhimento de assinaturas para a formação de mais um novo partido político, que se chama... “Novo”. Fui querer saber do jovem que partido era esse, qual a sua linha ideológica, quem está por trás disso, etc. – aliás, coisa que qualquer um deveria perguntar antes de sair colocando sua assinatura em qualquer lugar, mas que não foi o que aconteceu – e a única resposta que obtive foi que eu estaria ajudando a formar “o primeiro partido ficha-limpa do Brasil” (!?).

Claro que não assinei. Primeiro, porque não considero que a formação de mais um partido seja relevante para a política nacional; e segundo, muito menos um partido sem a menor novidade em termos de linha ideológica e com um nome absolutamente genérico como “Novo”. Nem sempre o novo é melhor do que o velho.

Recentemente fui dar uma olhada na internet pra saber um pouco mais das suas propostas, para buscar alguma informação e – quem sabe – até me arrepender de não ter assinado. Não me arrependi. Eis que me deparo com propostas totalmente superficiais e que não dizem absolutamente nada, a não ser que se trata de mais um partido da ordem conservadora-capitalista-liberal como tantos outros no país. Eis alguns dos “valores” do partido:

  • As mudanças e reformas que queremos promover têm o indivíduo, através da sua atuação e do voto consciente, como principal responsável. O direito de criticar deve ter como contrapartida o dever de participar;

  • Acreditamos que no livre mercado - aonde as trocas são feitas de maneira espontânea – os serviços são melhores do que aqueles ofertados pelo Estado, dados os mesmos custos.

  • Acreditamos no valor fundamental das liberdades individuais, incluindo direitos e deveres.

Ou seja, um conjunto de propostas altamente clichês, vazias, enganosas e que não trazem nada de diferente para o debate sobre a política nacional, nada que difira das promessas que estamos cansados de ver desses velhos partidos tradicionais da linha burguesa, como defesa da ordem, das leis e do mercado.

Parece que o Novo, apesar do nome, não passa de um novo partido com velhas ideias.

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