O fetiche cristão/conservador pela “Família”

Familia Tradicional

Repare bem: quase todas as bandeiras conservadoras, ultrarreacionárias e cristãs da sociedade brasileira podem ser levantadas “em defesa da Família”. É cada vez mais comum ouvirmos quase como um mantra esse tipo de justificativa para os pensamentos mais cretinos desse segmento da sociedade. Todos os tipos de preconceitos, intromissões em assuntos particulares, medo de propostas diferentes e reformistas, ataques a minorias étnicas e raciais, críticas a grupos LGBT, chiliques contra o direito ao aborto, a adoção de crianças por pais homossexuais, o próprio casamento gay… enfim, quase qualquer tipo de ataque como esses podem ser justificados em defesa da Família. Mas... que tipo de família é essa? Só existe um modelo de família aceitável? Quem disse isso?

Essa que é a grande questão. Cristãos fundamentalistas e conservadores acreditam que sim: só existe UM tipo de família – naturalmente a que ELES foram ensinados a achar que é a certa. Qualquer pessoa que queira o direito de formar uma família diferente dos moldes tradicionais – digamos, especificamente, um casal homossexual com filho adotado – estaria produzindo um ataque (?) aos valores da Família tradicional. Existe argumento mais cretino e falacioso do que esse para impor desrespeitosamente suas crenças infundadas e se intrometer na vida particular de outros cidadãos?

Em defesa da Família (conservadora, cristã e burguesa)

O que os religiosos e conservadores precisam ter em mente é que, ao defender a Família, eles estão defendendo apenas um tipo, um modelo de família, aquele que eles consideram o ideal. Ninguém quer nem pode lhes tirar o direito de viver sob o regime da família tradicional cristã e conservadora, ou seja, um patriarcado onde o pai provedor é o chefe e autoridade máxima da casa, a mãe é a criadora dos filhos e a rainha do lar, com filhos educados na rigidez e no castigo físico como corretor de desvios e “formador de caráter”. Mas isso não lhes dá o direito de avançar mais um pouco e achar que todas as pessoas do mundo devem se manter seguindo o que eles, ou as suas igrejas, ou a suas facções políticas acham que é o certo. A “família cristã”, burguesa, rígida, patriarcal e machista, que se opõe a qualquer tipo de modelo que não seja o seu, já teve sua predominância na história, mas hoje o mundo avançou e novas opções surgiram. Já não temos um, mas diversos modelos de família, então não faz o menor sentido toda essa gritaria fascista e preconceituosa que, para se impor, precisa se opor a outras famílias ou a seus membros. O que faz supor a um desses reacionários de plantão que a sua família seja melhor do que as outras? Propor um modelo diferente não quer dizer que se esteja querendo acabar com o modelo tradicional.

Sejamos francos, quem ataca outras famílias - como fazem paradoxalmente os que se denominam “defensores da Família” - onde a mulher seja a provedora e a chefe da casa, ou com casais do mesmo sexo, ou seja lá de que tipo, apenas mostra para todos sua faceta mais reacionária, retrógrada e alienada, seu conservadorismo mais tacanho e obsoleto. Não deveríamos ter que explicar coisas tão simples como essas em pleno século XXI, mas infelizmente ainda precisamos.

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