Panorâmica Social

Denúncia das injustiças da plutocracia brasileira e mundial

26 de dezembro de 2012

Qual é o termo gentílico mais adequado para quem nasce nos Estados Unidos?

flag

Esse foi um tema proposto recentemente numa comunidade de história na internet, e que gerou calorosos debates. Aparentemente esse é um assunto sem muita importância, mas só o fato de envolver questões de profundo cunho ideológico e psicológico já faz desse, um debate muito importante.

O nome do país suscita as controvérsias. Eles são os Estados autônomos que se uniram para formar um país no continente americano. Daí Estados Unidos da América. Alguns participantes da comunidade na internet defenderam que os nascidos naquele país sejam considerados “americanos” e não “estadunidenses” porque “Estados Unidos” é “relativo à sua forma de organização político-administrativa” sendo que em outros países “a construção do gentílico se dá com base apenas no último termo”. Daí Brasil resulta brasileiros, Canadá – canadenses, Argentina – argentinos, e assim por diante.

Temos dois equívocos neste argumento. Primeiro, porque a forma de organização político-administrativa do país é República Constitucional. “Estados Unidos” é relativo apenas ao contexto histórico da formação do país, ou seja, a união de Estados autônomos. Segundo, Brasil, Canadá, Argentina são, de fato, nomes de países. O mesmo não se aplica a “América”, que é o nome do continente. Portanto, Brasil – brasileiro, Argentina – argentino, não é o mesmo que América – americano. Isso só é verdade se você estiver se referindo a quem nasceu no continente americano e não nos Estados Unidos.

“Americanos” por costume

Há quem sustente que eles são “americanos” porque na Europa e no resto do mundo eles são tratados assim. Mas imagine o que aconteceria se hipoteticamente existisse um país no continente europeu chamado "Estados Unidos da Europa", cujos habitantes se autodenominassem "os europeus"... O que será que portugueses, alemães, franceses, italianos, pensariam disso? Será que concordariam e abririam mão de serem lembrados também como europeus? É claro que não.

É óbvio que o resto do mundo nomeia quem nasceu nos Estados Unidos como “americanos”, não por costume, mas pela força da sugestão. Quem pode resistir a tamanha máquina de propaganda, à cultura de massa dos seus filmes e produtos midiáticos e do peso da sua influência ideológica que impõe a sua maneira de viver e pensar a todo o planeta?

Como então devem ser chamados?

Quem nasce nos Estados Unidos também é norte-americano, mas esse termo não se aplica corretamente caso você esteja se referindo apenas a quem nasceu naquele país. Pois canadenses e mexicanos também são norte-americanos, é bom lembrar. Portanto, a única maneira de se referir corretamente a quem nasceu nos Estados Unidos é chamá-los estadunidenses. Americanos somos todos nós deste vasto continente, desde os índios quéchua da Bolívia até os esquimós do norte do Canadá, e o fato deles se apropriarem do termo para si é mais uma questão de poder e ideologia do que de "terminologia gentílica". Afinal, a subordinação de outras culturas e ideologias não se dá apenas através das armas. A destruição da autoestima e da cultura de outros povos se dá também através do sequestro da sua identidade. E é esse o papel da ideologia por trás de um assunto aparentemente tão banal, como tantos outros do nosso dia-a-dia, mas que estão cheios de segundas intenções escondidas.

14 comentários:

  1. gostei muito do texto, também sou professor de historia embora esteja aposentado, fico muito contente de saber que pessoas como você estejam no exercício do magisterio

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Obrigado nobre colega, fico lisonjeado com as suas palavras. Espero manter o legado dos meus grandes mestres na disciplina.

      Grande abraço e obrigado pela participação.

      Excluir
  2. Se eles próprios se denominam americans e não unitedstatians, qual o sentido de chamá-los de forma totalmente distinta? Faria mais sentido, a meu ver, fazer uma distinção no estilo paulista x paulistano.

    Podemos achar arrogante ou o que for eles batizarem o país com o mesmo nome do continente, mas é o nome do país.

    ResponderExcluir
  3. Essa é uma das grandes bobagens que já surgiu.. Vamos a história, o Brasil, até 1969 se chamava Estados Unidos do Brasil... se fosse utilizarmos o termo gentilico para designar os americanos como estadunidenses é correto deduzir que o mesmo se aplicaria aos brasileiros até 1969. O que temos aqui é que o pais adotou o mesmo nome do continente, da mesma forma que a cidade de São Paulo tem o mesmo nome do estado. Mas o fato é que a América é dividida em 3 subcontinentes que deveria, isto sim ter 3 nomes distintos, ao inves de norte, central e sul, da mesma forma que ocorre com a Europa que está ligada por terra à Africa e à Asia... Minha sugestão é que a américa do sul se chama-se Banana... pois é a terra das republiquetas e dos cabeças de vento.

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Se você quer recorrer à história, que eu acho bom, então você sabe que o Brasil era "Estados Unidos do Brasil" não por algum contexto histórico como naquele país do norte e sim por puro macaquismo de nossas elites. Nosso país já tinha um nome, e nossa federação não surgiu de baixo pra cima, ou seja, não foram os Estados descentralizados que se uniram, e sim o Estado centralizado que sustentou desde sempre a federação.

      Você dizer que os Estados Unidos por falta de criatividade ou seja lá por que razão apenas adotou o nome do continente como seu, como São Paulo, não leva em conta a questão da identidade, que em última anáise coloca todos os países americanos como o quintal da "América". Isso não é coisa pouca a ser levada em conta.

      A sua própria mente colonizada que chama a América do Sul de Banana, terra de republiquetas, sem levar em conta o papel golpista dos Estados Unidos neste território é o exemplo perfeito de como a baixa auto-estima nos afeta.

      Excluir
  4. Murikano, Redneck ou Boneco da Michelin

    São esses os três termos corretos para se referir aos nascidos nos Estados Unidos da Murika

    ResponderExcluir
  5. Murikano Redneck8 de maio de 2017 13:03

    Lista de regimes autoritários apoiados pelos Estados Unidos no passado

    1876-1911 México Porfirio Díaz
    1929-2000 México Partido Revolucionário Institucional
    1932-1944 El Salvador Maximiliano Hernández Martínez
    1933-1949 Honduras Tiburcio Carías Andino
    1953-1957 Colômbia Rojas Pinilla
    1948-1958 Venezuela Marcos Pérez Jiménez
    1908-1935 Venezuela Juan Vicente Gómez
    1898-1920 Guatemala Manuel Estrada Cabrera
    1931-1944 Guatemala Jorge Ubico
    1952-1959 Cuba Fulgencio Batista
    1930-1961 República Dominicana Rafael Trujillo
    1966-1985 Guiana Forbes Burnham
    1954-1986 Guatemala Efraín Ríos Montt e outras juntas
    1963-1982 Honduras Oswaldo López Arellano, Juan Alberto Melgar Castro e Policarpo Paz García
    1961-1979 Partido da Coalizão Nacional El Salvador (El Salvador)
    1979-1982 El Salvador Junta do Governo Revolucionário de El Salvador
    1963-1967 Equador Junta del
    1964-1969 Bolívia René Barrientos
    1971-1978 Bolívia Hugo Banzer
    1973-1985 Uruguai ditadura cívico-militar do Uruguai
    1966-1973 Argentina Revolução Argentina
    1976-1983 Processo Nacional de Reorganização da Argentina
    1964-1985 Brasil Governo militar brasileiro
    1936-1979 Nicarágua família Somoza
    1957-1971 Haiti François Duvalier
    1971-1986 Haiti Jean-Claude Duvalier
    1968-1981 Panamá Omar Torrijos
    1983-1989 Panamá Manuel Noriega
    1954-1989 Paraguai Alfredo Stroessner
    1973-1990 Chile Augusto Pinochet
    1992-2000 Peru Alberto Fujimori
    1948-1960 Coréia do Sul Syngman Rhee
    1958-1969 Paquistão Ayub Khan
    1961-1979 Coréia do Sul Parque Chung-hee
    1979-1988 Coreia do Sul Chun Doo-hwan
    1955-1963 Vietnã do Sul Ngo Dinh Diem
    1965-1975 Vietnã do Sul Nguyen Van Thieu
    1970-1975 Camboja República do Khmer Lon Nol
    1969-1971 Paquistão Yahya Khan
    1941-1979 Irão Mohammad Reza Pahlavi
    1965-1986 Filipinas Ferdinand Marcos
    1978-1988 Paquistão Muhammad Zia-ul-Haq]
    1963-1967 Iraque Abdul Salam Arif, Abdul Rahman Arif
    1982-1990 Iraque Saddam Hussein
    1967-1998 Indonésia Suharto
    1949-1953 Síria al-Za’im-Shishkali-al-Hinnawi Junta
    1999-2008 Paquistão Pervez Musharraf
    1990-2016 Uzbequistão Islam Karimov
    1990-2005 Quirguistão Askar Akayev
    1978-2012 Iémen do Norte Ali Abdullah Saleh
    1971-1985 Sudão Gaafar Nimeiry
    1978-1991 Somália Siad Barre
    1930-1974 Etiópia Haile Selassie
    1980-1990 Libéria Samuel Doe
    1991-2012 Etiópia Meles Zenawi
    1965-1997 República Democrática do Congo Zaire Mobutu Sese Seko
    1982-1990 Chade Hissène Habré
    1981-2011 Egito Hosni Mubarak
    2012-2013 Egito Mohamed Morsi
    1948-1994 África do Sul Apartheid
    1987-2011 Tunísia Zine El Abidine Ben Ali
    1953-1975 Espanha Francisco Franco
    1941-1974 Portugal António de Oliveira Salazar
    1967-1974 Grécia Junta militar grega
    1980-1989 Turquia Junta militar turca
    1969-1989 Roménia Nicolae Ceauşescu
    1941-1975 República da China Chiang Kai-shek
    1948-1957 Tailândia Plaek Phibunsongkhram
    1963-1973 Tailândia Thanom Kittikachorn
    1958-1963 Tailândia Sarit Thanarat
    1987-1999 Fiji Sitiveni Rabuka

    Lista de regimes autoritários apoiados pelos Estados Unidos…

    1991-presente – Azerbaijão – Heydar Aliyev; Ilham Aliyev
    1992-presente – Cazaquistão – Nursultan Nazarbayev
    1959-presente – Singapura – Partido de Ação Popular
    1984-presente – Brunei – Hassanal Bolkiah
    2011-presente – Vietnã – Trương Tấn Sang
    2014-presente – Tailândia – Prayut Chan-o-cha
    1994-presente – Tajiquistão – Emomali Rahmon
    2006-presente – Turcomenistão – Gurbanguly Berdimuhamedow
    1945-presente – Arábia Saudita – Casa de Saud
    1999-presente – Bahrein – Hamad bin Isa Al Khalifa
    1972-presente – Qatar – Casa de Thani
    1970-presente – Omã – Qaboos bin Said al Said
    1954-presente – Jordânia – Dinastia Hashemite
    1971-presente – Emirados Árabes Unidos Emirados Árabes Unidos
    2014-presente – Egito – Abdel Fattah el-Sisi
    1777-presente – Marrocos – Dinastia Alaouite
    1999-presente – Djibuti – Ismaïl Omar Guelleh
    1979-presente – Guiné Equatorial – Teodoro Obiang Nguema Mbasogo
    1982-presente – Camarões – Paul Biya
    1990-presente – Chade – Idriss Déby
    1986-presente – Uganda – Yoweri Museveni
    2000-presente – Ruanda – Paul Kagame
    2011-presente – Sudão do Sul – Salva Kiir

    ResponderExcluir
  6. Acho que ainda continuo na dúvida sobre o gentílico dos EUA já que estadunidense pode ser referente a quem nasce nos Estados Unidos do Mexicanos, não?

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Olá Paulo,

      A diferença, no meu modo de entender e não sei se você há de concordar, que, ao contrário dos Estados Unidos da América, o país mexicano possui sim um nome próprio. São os Estados que se uniram para formar uma unidade maior, chamada México.

      No caso dos Estados Unidos da América, o termo estadunidense se dá pelo fato deles não terem tido a ideia de batizar a União, preferindo se referir ao continente, que, como sabemos, é uma unidade territorial que ultrapassa suas fronteiras políticas.

      Grande abraço.

      Excluir
    2. Na verdade, o termo Correto é Yankee

      Excluir
    3. Pode ser, na versão aportuguesada "ianque", mas não é muito recomendável, porque por questões históricas, pode se referir apenas aos estadunidenses da região norte.

      Grande abraço.

      Excluir

Leia nossos Termos de Uso