“Mensalão” do PT: relembrando o caso (parte2/3)

Essa postagem é a segunda e penúltima parte da matéria sobre o Mensalão do PT, que será julgado nesta semana. Marcos Valério, o operad...

Essa postagem é a segunda e penúltima parte da matéria sobre o Mensalão do PT, que será julgado nesta semana.

Marcos Valério, o operador do mensalão do PT, era operador do caixa dois do PSDB mineiro

valerio-marcos Marcos Valério Fernandes de Souza nasceu em 1961 em Minas Gerais. Desde muito jovem trabalhava em bancos, mas aos poucos foi se tornando lobista do mercado financeiro. Sua função era negociar com credores de bancos o pagamento de créditos já dados como perdidos. Assim ele ficava com uma porcentagem do dinheiro que conseguisse reaver.
Sua ambição se tornou a porta de entrada para o meio político mineiro em 1996, através de duas siglas: PSDB e SMP&B. A primeira, do partido que todo mundo conhece. A segunda, da maior agência de propaganda de Minas. Em estado falimentar, Marcos Valério ainda assim enxergou oportunidade na agência — com o apoio da outra sigla, o PSDB.
Nos anos 70 e 80, as empreiteiras serviam para fornecer caixa dois a campanhas políticas, mas desde a eleição de 1989, as agências de publicidade haviam se tornado operadoras de caixa dois preferenciais em campanhas eleitorais. Em 1996, sabendo que os tucanos mineiros estavam com grandes planos para a agência (leia-se, com intenção de usar a agência para operar caixa dois da campanha do tucano Eduardo Azeredo em Minas), Marcos Valério resolveu ajudá-la a sair do buraco. Através de manobras jurídicas, Marcos Valério sugeriu aos donos da SMP&B Publicidade a abandonar o barco velho e montar um barco novo: a SMP&B Comunicação. Por ter intermediado a transação, Valério ficava com 10 por cento da agência e o cargo de diretor financeiro. Assim ele abandonava o ramo bancário e se tornava o “publicitário” Marcus Valério.

PT no poder utiliza os métodos do PSDB

Para conseguir o dinheiro para pagar aos aliados, o PT, quando chegou ao poder, recorreu ao mesmo operador do caixa dois do PSDB mineiro, Marcos Valério. Através dos seus contatos com os bancos mineiros como o Rural e o BMG, Valério conseguia milagrosos “empréstimos” que alimentavam o caixa dois do partido. Nessa operação, o PT arrecadou a bolada de 66,1 milhões de reais.
Quando o tesoureiro do PT, Delúbio Soares, precisava de dinheiro, ligava para Valério. Dessa maneira, de janeiro de 2003 a maio de 2005, o PT movimentou de forma ilegal “uma média de 63.380 reais por dia, incluindo sábados, domingos e feriados”. Segundo Lucas Figueiredo,
O dinheiro jorrou. Dívidas de campanha foram pagas, ‘compromissos políticos’ do PT com seus aliados foram saldados, corruptos enriqueceram, advogados e prostitutas receberam por serviços prestados e até a amante de um ex-deputado já morto teve a sua pensão garantida

Como funcionava o esquema

Ainda segundo o autor:
Para desaguar os recursos sem despertar suspeitas, o empresário utilizou o velho expediente já testado e aprovado em 1998 na campanha do PSDB mineiro. Na maioria das vezes, o truque funcionava da seguinte forma: a SMP&B emitia cheques nominais a ela mesma, que eram então endossados e sacados na boca do caixa. Como a SMP&B costumava movimentar anualmente dezenas de milhões de reais, ninguém notava se a empresa havia sacado 10 milhões de reais a mais ou a menos num determinado mês. Só o banco poderia desconfiar de tantos saques na boca do caixa, mas para isso Marcos Valério tinha seus amigos no Rural.

E como esse dinheiro chegava nas mãos dos destinatários?

Quando Delúbio ligava para Marcos Valério, dizia que o político X tinha que receber a quantia Y. A diretora da SMP&B, Simone Vasconcelos ligava para o parlamentar para perguntar como deveria ser feito o pagamento. De olho na farra do dinheiro, muitos políticos passaram para os partidos da base aliada do governo. Só no PTB, no PL e no PP, o número de deputados e senadores passou de 101 para 154. Na base do mensalão o PT garantiu a maioria de votos no Congresso.
O fato totalmente estranho é que o PT poderia estar comprando deputados da direita para aprovarem projetos contrários aos deles, mas não... O PT, supostamente de esquerda, pagava a partidos de direita para aprovarem uma agenda liberal, como a Reforma da Previdência, por exemplo. Difícil de entender...
Continua…
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Fonte: FIGUEIREDO, Lucas. O Operador – Como (e a mando de quem) Marcos Valério irrigou os cofres do PSDB e do PT. Ed. Record: Rio de Janeiro, 2006.

Parte 3: “Mensalão” do PT: relembrando o caso (parte 3/3)

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“Mensalão” do PT: relembrando o caso (parte2/3)
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