24 de junho de 2012

Rio + 20: mudar para continuar tudo como está

Debater uma forma de acabar com os prejuízos causados pela grande demanda de recursos naturais do sistema só tem uma saída: acabar com esse sistema. O resto é falácia.

industria-poluidora Desviar o foco. Dessa forma pode ser resumida a tentativa de líderes mundiais, setores privados, ONGs e outros grupos que se reuniram no Rio de Janeiro no fim desse mês para determinar como é possível reduzir a pobreza, promover a justiça social e a proteção do meio ambiente. Economia verde, capitalismo verde, desenvolvimento verde... a nova moda das classes dirigentes é esverdear todas as modalidades de destruição que o sistema atual causa no planeta e nas comunidades mais pobres.
Durante vários dias, tentou-se chegar a um acordo para diminuir as consequências da exploração dos recursos naturais da Terra, mas a declaração final foi considerada um tremendo fracasso. E não podia ser mesmo diferente. Por quê?
Porque já não é de hoje que os governos vêm atuando cada vez mais em sintonia com os interesses das grandes corporações e menos com o dos eleitores. Diminuir a poluição e preservar o meio ambiente, para estes grupos, representa uma única consequência: diminuição dos lucros. Como as grandes empresas, por um acaso, também são as grandes patrocinadoras das campanhas eleitorais dos atuais governantes eleitos nos países “democráticos”, fica claro que defender propostas de proteção ao meio ambiente não é necessariamente uma boa jogada.
Dessa forma é que surgem eufemismos como a moda do momento: “desenvolvimento sustentável”. Nada mais é do que um paradoxo insustentável. O sistema econômico tem o seu pilar na produção em larga escala de um número cada vez maior de mercadorias, que precisam ser vendidas em quantidades cada vez maiores — não por acaso eles são também os defensores da globalização e do mercado livre — para produzir ainda mais mercadorias, demandando mais e mais recursos naturais. Tudo isso é agravado por uma estratégia imoral das corporações capitalistas, que colocam no mercado produtos que são feitos para durar pouco e serem descartados rapidamente.

Obsolescência programada, o debate que não aconteceu

obsolescencia-programada Todos nós já notamos que, em tempos passados, os produtos, especialmente os eletrônicos, tinham uma vida útil muito maior do que têm hoje. Isso não é por acaso. Essa falta de durabilidade das mercadorias chama-se “obsolescência programada”, ou seja, os produtos são feitos para durarem apenas um determinado tempo, tornando-se obsoletos, devendo ser trocados por outro modelo, mais moderno, mais sofisticado. Qualquer criança de 5 anos é capaz de perceber as razões dessa estratégia: fazer a roda da economia girar mais rápido, gerando mais lucros para as empresas. Mas também gera mais demanda de recursos, mais destruição ambiental e mais lixo.
Está mais do que na hora de se atacar o problema de frente, com todas as letras: esse sistema econômico atual não combina com sustentabilidade. Se quisermos realmente ter condições de viver neste planeta de maneira sustentável, só existe uma maneira: excluir o lucro das grandes corporações da equação. E isso só é possível num outro sistema em que as pessoas e o meio ambiente tenham preferência, não o capital e o lucro.
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