5 de junho de 2012

Como as mídias controlam a opinião pública no Brasil

imprensa-oligarquica Uma das características mais intrigantes da população brasileira era a total apatia frente aos sucessivos escândalos de corrupção envolvendo políticos e empresários, pelo menos até este ano de 2013. Muitas pessoas defendem que essa é uma marca inata do nosso povo, que elege a festa e o futebol como interesses maiores. Eu pretendo ir por outro caminho. Nossa opinião pública excessivamente moldada pelas mídias monopolistas sempre foi a maior responsável pelo desinteresse nacional pela política.

Nosso problema maior é que no Brasil, a televisão chegou antes da educação. Em outros países, como por exemplo na França, na Inglaterra e na Suécia, no final do século XIX, houve uma pressão enorme para o investimento na educação pública para todos e para a erradicação do analfabetismo. Em meados do século XX, grande parte de suas populações já era perfeitamente politizada, alfabetizada e educada.
No Brasil, por outro lado, com uma elite tacanha, egoísta e sem um projeto nacional de desenvolvimento para o país, a população ficou jogada a sua própria sorte. Em 1950, ano que marca a chegada da televisão ao país, numa população de quase 52 milhões de pessoas, mais da metade (50,5%) eram analfabetas. Nos anos 60 a situação melhora um pouco (39,6% de analfabetos) mas ainda assim um número espantoso para a segunda metade do século XX. E é esse cenário que assiste a chegada da Rede Globo de Televisão.
Com o beneplácito dos militares da ditadura e com verbas do grupo norte-americano Time-Life, a rede Globo só fez crescer no país. Sua programação teve nas novelas e no telejornalismo seus maiores destaques. Cumpria-se aqui, ainda com maior êxito, a função de moldar e domesticar a perigosa opinião pública, como foi mostrado no post anterior.

O monopólio das mídias

Se as mídias fossem diversificadas e tivessem uma variedade de pontos de vista, a rede Globo seria apenas mais uma entre tantos outros veículos de informação. O problema é que, desde os anos 60, ela concentra todos os meios de comunicação de massa (jornais, rádios, televisão, revistas, editoras, gravadoras, canais a cabo...) e com isso também os principais patrocínios, convergindo todos eles para uma única linha ideológica – a deles, não a nossa, obviamente.
Do fato que ocorre, seja ele qual for, até a notícia que chega até nós, a realidade já foi completamente moldada pelas empresas de comunicação, da seguinte forma:
Toda e qualquer notícia passa, necessariamente, por uma série de filtros antes de ser veiculada. Entre os principais filtros, destacam-se: a linha editorial do grupo proprietário; a influência das empresas anunciantes; as fontes de informação; e a ideologia dominante que impregna os profissionais da área de comunicação.

Além disso,
há uma série de práticas sistemáticas bem estabelecidas que reforçam o direcionamento das notícias e que distraem as pessoas, impedindo-as de desenvolver um pensamento crítico. Entre estas principais práticas destacam-se: a repetição, o distinto tratamento concedido às partes adversárias (tempo, momento de cessão da palavra, uso de determinados termos, qualidade do orador), a citação sem crítica, a utilização de espaços dedicados a fatos corriqueiros, o recurso ao entretenimento em programas informativos e o uso excessivo das imagens ao vivo.

Esqueça aquela velha história de “imprensa imparcial” e “a voz dos cidadãos”. Tudo isso é uma arma poderosa que induz a população brasileira, em grande parte despreparada e deseducada para o senso crítico, a ser exatamente o que as classes dominantes querem que sejamos: desinteressados, festivos, pacatos, sem visão política, telespectadores, não participantes.

Como combater a imprensa oligárquica: Marco Regulatório e democratização das mídias

Em 2012 o Fórum Nacional pela Democratização da Comunicação (FNDC) debateu a forma de impor uma nova regulação de mídia no Brasil, mas as resistências dos políticos, óbvio, são enormes. Segundo a deputada federal Luíza Erundina (PSB-SP),
Não dá para esperar que os membros do parlamento estejam abertos [ao marco regulatório] porque eles têm interesses muito claros: são concessionários de outorgas, de veículos de comunicação de massa".

Já os órgãos monopolistas de imprensa tratam o marco regulatório como uma tentativa de censura do direito de “liberdade de imprensa”.
O passo seguinte tem que ser a democratização das mídias. Não podemos assistir o mesmo conteúdo, a mesma visão política, a mesma linha editorial voltada para os interesses do capital em todos os veículos de imprensa. Isso fere o pressuposto democrático e impõe à sociedade apenas a condição de telespectador e consumidor. É preciso recuperar a imprensa como veículo de informação e de transformação, que atenda aos interesses da população, e não das grandes empresas. É preciso tirar das mãos dos oligarcas da comunicação o poder de nos dizer o que é certo e o que é errado. Só assim a imprensa será livre de verdade.

Leia também:
A culpa é do povo? Como as mídias influenciam nossas opiniões e interferem na democracia
(editado por Almir Ferreira em 8/10/2013)
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