Panorâmica Social

Denúncia das injustiças da plutocracia brasileira e mundial

5 de março de 2012

Um pé que dói na bunda errada

jerome-valcke

Era só o que estava faltando. Depois de nos impor uma série de medidas que passam por cima inclusive da nossa constituição, o secretário-geral da Fifa, Jerome Valcke (imagem), andou pegando pesado nas suas declarações sobre o país.


copa_brasil_pe-na-bunda De fato, a grande maioria de nossos representantes merece “um pé na bunda” não para acordar da lerdeza, mas para serem jogados longe da política nacional. Apesar disso, não dá mesmo para aceitar o comentário desrespeitoso desse cidadão da Fifa ao Brasil, dentre tantos outros absurdos cometidos pelas nossas próprias autoridades das quais já somos vítimas. Nas mesas de cassino, nos nobres salões em que ele deve se reunir com os amigos para tomar uísque e fumar charutos relaxadamente, tudo bem que ele fale assim do país, mas não pode publicamente dizer uma merda dessas e achar que está tudo bem. Não vou chegar ao ponto de levantar antigos ressentimentos que remetem à tradicional postura arrogante dos colonialistas europeus quando isso daqui era terra de ninguém (“O Brasil não é um país sério”), quando podiam mandar e desmandar a torto e a direito, porque a gente não tinha amor próprio, como fizeram alguns analistas recentemente. Os tempos são outros. Hoje o Brasil é grande e respeitado lá fora, apesar de uma série enorme de graves deficiências que todos estão carecas de saber. Esse teatro de bufonaria não podia ficar barato e o secretário já foi até chamado de vagabundo por um representante do alto escalão brasileiro.
Essa Copa é um absurdo do começo ao fim e não poderia acontecer num país cheio de mazelas. Agora, alguém acha realmente que a essa altura do campeonato, os magnatas da Fifa vão aproveitar que têm até junho para decidir, e cancelar a Copa no país? Em que outro lugar do mundo eles encontrariam uma classe política e empresarial tão manipulável, tão benevolente e tão disposta a jogar rios de dinheiro público no ralo das obras faraônicas superfaturadas? A se observar a justa indignação das classes políticas, é como se as autoridades brasileiras dissessem: “levem nosso dinheiro, imponham as suas regras, critiquem nossa morosidade, mas deixem minha bunda em paz!”. A Copa do Mundo no Brasil é uma mina de ouro para a Fifa e para meia-dúzia de brasileiros que controlam o país. No fim das contas, a única bunda que sofre com todos esses absurdos é a nossa.

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