Princípio da Reciprocidade: uma questão de justiça

bandeira-da-espanha Ela demorou, mas enfim vai ser colocada em prática pelo Itamaraty: a partir do dia 2 de abril, todo cidadão espanhol que colocar os pés no Brasil passará pelos mesmos constrangimentos legais que o brasileiro passa na Espanha. A medida visa dar o troco no serviço de imigração da Espanha, que trata mal os estrangeiros que chegam ao país.

A vida do cidadão espanhol ficará mais difícil no Brasil. O Ministério das Relações Exteriores resolveu adotar o mesmo tratamento que o brasileiro sofre na Espanha. A partir de abril, serão exigidos dos espanhóis, além do passaporte válido por pelo menos seis meses, passagem de volta com data marcada, comprovação de reserva em hotel ou alojamento e dinheiro suficiente para se manter no país pelo período declarado — R$ 170,00 por dia.

Ainda não é tudo: se o turista resolver ficar na casa de parentes ou amigos, terá que apresentar uma carta assinada pelo anfitrião registrada em cartório, dizendo quantos dias ele vai ficar.

Em 2010, quase de 1.700 brasileiros foram impedidos de entrar na Espanha. Ano passado, até agosto, o número passava de mil. Alguma atitude deveria mesmo ser tomada como resposta a este abuso, para não dizer discriminação.

Toda esta situação está inserida no contexto atual da Europa, cada vai mais afundada numa crise econômica, que faz os governos se voltarem, com apoio da maioria da população, para medidas xenófobas contra imigrantes, bem ao gosto dos partidos de extrema-direita, cada vez mais fortes no continente. O grande medo é que turistas fiquem no país em vez de voltar.

Na teoria, a globalização que estes países defendem diz respeito a livre circulação de serviços, mercadorias, capital e força de trabalho, mas parece que, pra eles, globalização no território do outros, é refresco... Na casa deles, continua imperando o protecionismo, a taxação de produtos importados e o pior: a xenofobia.

Felizmente, o mundo está começando a mudar. E a vanguarda da mudança passa longe da Europa.

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