Duas importantes notícias desta semana sobre Educação

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Duas notícias importantes mexeram no mundo da Educação essa semana. A primeira delas diz respeito aos Estados norte-americanos que pretendem erradicar uma tradição secular em nome do progresso e da tecnologia; a outra, uma pesquisa que resgata o reconhecimento ao valor do profissional de ensino.
 
Primeiro, o e-mail, que viria para acabar com as cartas comuns. Agora, a própria escrita cursiva (feita à mão) é que está na berlinda para ser extinta pela tecnologia digital. Pelo menos nos Estados Unidos. A ideia é que as pessoas deixem de escrever à mão, com lápis e papel, e aprendam a digitar textos com mais eficiência.
O primeiro Estado a propor o fim da escrita cursiva foi Indiana, que a tornou opcional por enquanto, mas que deve ser totalmente erradicada nos próximos anos. A medida deve ser seguida por outros 40 Estados, que consideram a forma de escrever à mão ultrapassada.
Segundo os defensores da medida, as pessoas hoje mal precisam escrever com lápis e papel. Portanto, seria mais importante que aprendessem a digitar no celular e no computador.
Eu acho que este fetiche pela tecnologia está nos levando longe demais. O que pode haver de errado com crianças que aprendam a escrever usando os velhos lápis e papel? Tudo bem que hoje ela possa anotar recados direto no celular e enviar para quem quiser (quem não tem um celular hoje em dia?). Mas não podemos nos tornar tão dependentes assim da tecnologia. O preocupante é que os políticos daqui adoram imitar o que vem de lá. Pois amanhã substituem a conversa tête-à-tête pela conversa presencial via MSN. Imagine que coisa ridícula, duas pessoas frente a frente conversando através do MSN. Não deve faltar muito para chegarmos a este ponto. Isso, se o próprio sexo não for substituído por estímulos cerebrais sem contato físico, como na clássica cena da Sandra Bullock com Sylvester Stallone no filme O Demolidor.

professor
A outra notícia, esta positiva, saiu num estudo chamado Caminhos para Melhorar o Aprendizado. Os bons professores, aqueles que sofrem todos os tipos de problemas na sua profissão, mas que não deixam a peteca cair, saem de alma lavada. De acordo com a pesquisa, alunos dos melhores professores aprendem 68% mais do que os colegas orientados pelos piores docentes. Não é pouca coisa. Alunos dos bons professores — aqueles que continuam motivados apesar de tudo, e que amam a sua profissão — aprendem quase 70 por cento mais. Se por um lado temos nosso trabalho reconhecido, por outro temos nossa responsabilidade aumentada. Segundo Renato Paes de Barros, da Secretaria de Assuntos Estratégicos (SAE) da Presidência da República, “Por muito tempo, os estudos mostraram que o ambiente familiar era mais importante para o aprendizado e o professor, pouco. Os estudos passados falharam”.
Aí está. Num momento em que seis Estados do Brasil têm professores em greve, não poderia haver melhor momento para que os governos reconheçam a importância deste profissional para os interesses estratégicos do Brasil. Este país só vai alcançar o status de grandeza que deseja, se valorizar a Educação e seus profissionais. E o professor é peça fundamental nesta caminhada.