1 de junho de 2011

Poder econômico vence mais uma no Brasil: presidente da Telebrás é demitido

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Um dos maiores defensores da banda larga a preços populares neste país, o presidente da Telebrás, Rogério Santanna, acaba de ser demitido pelo Ministro das Comunicações, Paulo Bernardo. Rogério mexia com interesses econômicos cruciais das empresas de internet, que oferecem um dos piores e mais caros serviços do planeta e não aceitavam a concorrência da Telebrás. Trata-se de mais uma atitude reprovável deste governo.


A internet brasileira está entre as piores e as mais caras de todo o planeta. Além disso, somente 5 em cada 100 brasileiros possuem acesso à banda larga. Por conta disso, o governo Lula resolveu criar ano passado o Plano Nacional de Banda Larga (PNBL) que tinha a intenção de fazer a reativada Telebrás entrar neste mercado, oferecendo banda larga de qualidade a R$35,00. Com isso, determinaria novos parâmetros de preço, além da expectativa de alcançar a marca de 40 milhões de casas até 2014. Mas o poder econômico das empresas do setor falou mais alto e acaba de derrubar o presidente da estatal, Rogério Santanna, em mais uma demonstração da fraqueza do governo Dilma.
Rogerio-Santanna Enquanto que no exterior a banda larga há muito tempo deixou de ser um luxo, no Brasil, até bem pouco tempo, um mísero mega de velocidade custava 80 Reais por mês pelo serviço da Oi no Rio de Janeiro. No Amazonas, este valor chegava a 400 Reais. Para se ter uma ideia, em dados de 2009, na França, o megabite saía a $0,84 centavos de dólar; no Japão, $0,53; Coréia do Sul, $0,35; no Brasil, $25,03 dólares. Por conta disso, com muita justiça — e com a reclamação das empresas do setor, obviamente — a Telebrás tinha criado o PNBL. Mas com a demissão de Rogério Santanna (imagem à direita), assume hoje o diretor comercial da estatal, Caio Bonilha, com uma visão completamente diferente, ajustada com os interesses das empresas. Defende que a estatal ofereça banda larga apenas no atacado às empresas e não diretamente à população, sabotando o projeto e evitando assim a concorrência direta com a Oi, a Telefonica e outras, que por sua vez poderão comprar os pacotes oferecidos pela própria Telebrás e vendê-los “a preço de mercado”. Uma vergonha e um desrespeito ao povo brasileiro.
Este governo, que mal começa, já derrapou em erros abomináveis. Primeiro, nomeou Antonio Palocci como Ministro da Casa Civil, uma tremenda bomba que mais cedo ou mais tarde iria explodir; depois, substituiu o ex-secretário especial dos Direitos Humanos Paulo Vannuchi, desafeto da mídia, da igreja e das Forças Armadas, pela insossa Maria do Rosário; além disso, mantém no cargo um Ministro da Educação dos mais incompetentes que já se viu; agora, demite o presidente da Telebrás, defensor ferrenho da banda larga a preços populares, não sem antes sabotar as verbas da empresa — segundo Rogério Santanna, estavam previstos R$ 600 milhões para o ano passado e R$ 400 milhões para este ano, mas os recursos foram cortados pela metade e, até agora, só foram liberados R$ 50 milhões.
Pra fechar este primeiro semestre com chave de ouro, só falta a presidente Dilma sancionar o Código Florestal nos moldes que se apresenta à apreciação do Senado. Infelizmente este governo desaponta aqueles que acreditavam que Dilma pudesse aprofundar ainda mais os ganhos sociais do governo anterior. Pelo visto, ela rema no sentido contrário. A maioria da população brasileira será mais uma vez a grandemente prejudicada, em nome dos interesses empresariais mancomunados com políticos corruptos, numa promiscuidade difícil de ser exterminada deste país.
Fonte:
http://g1.globo.com/tecnologia/noticia/2010/05/compare-banda-larga-brasileira-com-do-resto-do-mundo.html


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