Sobre o preço da Gasolina

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No exato momento em que a inflação preocupa o país, o preço da gasolina explode. Como pode isso acontecer num país já autossuficiente em petróleo e que ainda nem começou a explorar as suas enormes e recém-descobertas reservas do pré-sal? Essa difícil explicação é a que vamos tentar responder agora.

Antes de mais nada, é preciso esclarecer um fato: a inflação brasileira não é causada por uma alta da demanda de combustível pelo consumidor, como era de se esperar. No caso da gasolina, ela é causada pelos usineiros que repassam os custos da entressafra da cana-de-açúcar - matéria prima do álcool anidro, elemento adicionado à gasolina brasileira – aos distribuidores, que por sua vez repassam os custos aos consumidores.
Além deste fato, existe a exorbitante carga tributária brasileira, que não podia deixar de incidir sobre um produto tão valorizado quanto a gasolina. Juntando todos os impostos, chega-se à marca de 41 por cento do total do preço final.

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Gráfico revela valor dos impostos 


Para desmentir a ideia de que a gasolina brasileira é uma das mais caras do mundo, a Petrobras afirma que os preços cobrados no Brasil “encontram-se alinhados com os preços de outros países que possuem mercados de derivados abertos e competitivos”. Entretanto, no gráfico abaixo, fornecido pelo blog da empresa, existe uma série de engodos.

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  1. a parcela em verde do gráfico representa o preço da refinaria sem impostos;
  2. a parcela em azul representa as margens de lucro, que oscilam em função do mercado local de venda dos combustíveis;
  3. e a parcela em amarelo representa a carga tributária que é a maior responsável pela diferença dos preços entre os países.

O preço da gasolina é comparado com países europeus, Japão e outros países de custo de vida elevado (e/ou não-produtores), mas com uma renda per-capita muito maior que no Brasil (exceção para a China). Deixa de fora muitos países como Venezuela e Arábia Saudita, que como o Brasil, são produtores e que vendem a gasolina a menos de 1 dolár o galão! O Brasil e Noruega são os únicos países produtores de petróleo na lista dos 15 preços mais caros do mundo. Veja a situação real em U$ por galão americano:

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Agora vejam vocês, arautos do mercado livre, que desde a Lei Federal 9.478/97 (Lei do Petróleo) que flexibilizou o monopólio do setor de petróleo e gás natural, até então exercido pela Petrobras (da qual a Petrobras Distribuidora é subsidiária) que se abriu o mercado de combustíveis no País. E assim como a telefonia móvel, uma das mais caras do mundo, o combustível só fez aumentar. Não adianta reclamar, dizer que o Brasil tem petróleo para dar e vender. São as “leis do mercado”. E isso apesar de desde 2009, a Petrobras vender o litro da gasolina para as distribuidoras a invariáveis R$ 1,05. Esperavam que a concorrência operasse o milagre de fazer os preços caírem… e continuam esperando.
Há uma queda de braço entre os culpados pelo alto preço da gasolina no Brasil. De um lado, o culpado estrutural, o Governo, que cobra uma das cargas tributárias mais pesadas do planeta; de outro, o culpado conjuntural, os usineiros, que por sua vez culpam a entressafra pela necessidade de aumentar o preço do álcool que é adicionado na gasolina. Na ponta dessa linha, o consumidor, aquele mesmo, que vota nesta mesma gente, na esperança de que algum dia estas coisas vão mudar. E continuam esperando.

Fontes
http://fatosedados.blogspetrobras.com.br/2011/04/07/preco-da-gasolina-mitos-e-verdades/
http://www.anp.gov.br/?pg=8358
http://empresasefinancas.hsw.uol.com.br/precos-da-gasolina1.htm

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