Panorâmica Social

Denúncia das injustiças da plutocracia brasileira e mundial

25 de maio de 2011

Ditadores dão nomes a ruas, viadutos e outros patrimônios públicos pelo Brasil

rodovia-castello-branco

A Ditadura Civil-Militar ainda está viva entre nós. Ruas, avenidas, prédios, praças e monumentos pelo Brasil afora foram batizados em homenagem a torturadores e ativos participantes do Golpe de 64. Não se trata de querer tentar apagar da memória os arbítrios de um dos períodos mais negros da história do Brasil, mas tais honrarias são uma afronta à sociedade.

 

Pelo Brasil existem dezenas de exemplos de que a Ditadura Civil-Militar que grassou no Brasil durante 21 anos ainda não acabou. A tal transferência de poder “lenta, gradual e segura” das mãos dos militares para as mãos de civis, simbolizada pela inusitada posse de José Sarney à presidência da Republica em 1985, na verdade representou a continuidade no poder daqueles que derrubaram o governo de João Goulart em 1964. E um dos exemplos que ilustram essa continuidade são as homenagens prestadas pelo Estado “democrático” que batiza ruas, praças, prédios e outros monumentos com os nomes de notórios golpistas e torturadores.

Somente no Estado de São Paulo — em São Bernardo do Campo, Santo André e Santa Bárbara do Oeste — temos três ruas que homenageiam o General Olympio Mourão Filho, que em 31 de março de 1964 deflagrou o Golpe Militar ao invadir o Rio de Janeiro com as tropas da IV Divisão de Infantaria, partindo de Juiz de Fora com mais um contingente da Policia Militar de Minas Gerais (ironicamente, na rua de Santa Bárbara do Oeste ainda fica o Conjunto Habitacional batizado de “31 de março”). Ainda em São Paulo, no município de Campinas, existe a Praça Presidente Gen. Emilio Garrastazu Médici, localizado dentro da Pontifícia Universidade Católica da cidade. Surpreendente uma instituição católica homenageando um presidente da época da Ditadura, não? (não). No Estado ainda há a Rodovia Castello Branco, nome do primeiro presidente ditador do Regime Militar.

 

placa-medici

 

O almirante Augusto Hamann Rademaker Grünewald, ministro da Marinha do regime militar entre 1967 e 1969, fez parte do assim chamado “Comando Supremo da Revolução”, que baixou o Ato Institucional (mais tarde numerado como AI-1, tantos foram os que lhe seguiram), permitindo uma série de arbitrariedades contra cidadãos brasileiros. A Marinha do Brasil achou por bem prestar-lhe uma bela homenagem ao batizar a Fragata F 49 com o seu nome.

 

051022-N-4374S-014 Fragata “Rademaker” (F49)

 

Existem muitos outros exemplos pelo Brasil afora, como a Ponte Rio - Niterói (batizada como Ponte Presidente Costa e Silva, outro ex-presidente da Ditadura), e o Viaduto 31 de Março, em Botafogo.

 

ponte-rio-niteroi Ponte Costa e Silva (Rio-Niterói)

 

Já existem movimentos no país para corrigir estas aberrações históricas. Em Fortaleza, Ceará, os vereadores aprovaram a mudança da “Praça 31 de Março” para “Praça do Futuro” assim que as obras em andamento forem concluídas. Em São Paulo o deputado Raul Marcelo do PSOL apresentou projeto de lei que visa retirar de rodovias, escolas, viadutos e outros patrimônios públicos estaduais os nomes de envolvidos em crimes de direitos humanos, em especial da última ditadura militar (1964-1985). Não devemos esquecer jamais os nomes daqueles que arruinaram a democracia e a esperança do povo com a derrubada de João Goulart do poder em 1964, mas tais homenagens descabidas devem ser devidamente revogadas pelas autoridades. Acabar com estes deboches é o mínimo que se pode fazer em respeito por aqueles verdadeiros heróis que lutaram bravamente ou que sofreram no período mais tenebroso da história brasileira.

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Fontes:

http://www.conversaafiada.com.br/brasil/2010/07/05/tortura-nunca-mais-quer-tirar-medici-de-nome-de-placa/

http://blog.opovo.com.br/blogdoeliomar/nova-praca-31-de-marco-atende-demanda-da-comunidade-diz-lider-da-prefeita/

http://veja.abril.com.br/blog/ricardo-setti/politica-cia/navio-de-guerra-da-marinha-continua-homenageando-ditador-que-integrou-duas-juntas-golpistas-e-liberticidas/

5 comentários:

  1. Para mim, tão ruim quanto essas "homenagens" é a forma atual de homenagear, trocando nomes clássicos de vias conhecidas, a fim de fazer política, demagogia, e "deixar sua marca".

    No Rio de Janeiro mesmo há vários exemplos disso: Av. Suburbana virou "Dom Helder Câmara"; Av. Automóvel Clube virou "Pastor Martin Luther King Jr.", Estrada Velha da Pavuna virou "Ademar bebiano", entre muitas outras.

    E o mais irônico disso? O povo, que é quem trafega por tais vias, continua chamando-as pelos nomes antigos.

    Abraço!

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  2. Oi Almir, tudo bem?
    Pois é...
    e tenho um caso na família,
    por curiosidade:
    o General Guedes da Luz, nome de rua aqui em Porto Alegre, (cuja rua mora os integrantes da banda "Da Guedes", que por isso tem esse nome - que é uma banda conhecida por aqui), é meu tataravô. Foi um dos "herois" da Guerra do Paraguai. Na verdade, nunca quis saber muito detalhes de sua atuação.

    Grande beijo e espero que tenha gostado da referência ficcional/real de teu nome lá no meu último post!
    E obrigada por comentar lá no link do Jornal de Pelotas. Valeu mesmo!

    Humoremconto
    http://anaceciliaromeu.blogspot.com

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  3. Este comentário foi removido pelo autor.

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  4. Achei importante você esclarecer que o objetivo não é apagar da memória esse período negro da história brasileira. Pelo contrário. Acredito na importância da correção desses "pequenos detalhes" na medida em que estes acabam deixando a impressão de que esse período não foi tão negro assim. Seriam aceitáveis, nos dias de hoje, ruas, avenidas ou pontes homenageando o "ilustríssimo" Adolf Hitler? Decerto que não. Pois todos estão cientes (com exceção de uma minoria desprovida de sinapses nervosas que se denomina "neonazista") de que é um momento que não deve se repetir, jamais. É um desrespeito, sim, um deboche, como você disse. É preciso evitar a equivocada impressão de que a ditadura no Brasil "não foi tão dura assim". Toda ditadura "é dura" e deve ser repudiada. Sem exceção.

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  5. Período negro na história política brasileira. Além da retirada dos nomes, seria interessante descobrir quem autorizou também e citá-los todos publicamente.
    Abraço

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