11 de abril de 2011

Tragédia em Realengo reacende debate oportunista sobre o desarmamento

Escola Tasso Da Silveira - Realengo
Ainda no calor dos acontecimentos trágicos que vitimaram 12 crianças numa escola de Realengo (imagem à esquerda), políticos e setores oportunistas da sociedade que perderam no referendo sobre o desarmamento em 2005 tentam empurrar um novo plebiscito na goela da sociedade, pegando carona na comoção do ato bárbaro provocado por Wellington Menezes de Oliveira.


José Sarney foi o primeiro a levantar a hipótese de uma nova consulta popular depois do atentado: “Acho que devemos tomar uma iniciativa nesse sentido [de realizar um novo referendo]. Vou tratar disso na próxima reunião com os líderes dos partidos no Senado para ver se temos condição de votar imediatamente uma lei modificando o que foi decidido no plebiscito e fazendo outro plebiscito”
Ele alega que pretende mudar o “mal para o bem”, num completo desrespeito à decisão soberana das urnas em 2005, que refletiu a vontade da maioria da população (o resultado foi 63,94% dos votos válidos contra o desarmamento e 36,06% a favor).

jose-sarney Sarney tenta revogar decisão do povo em 2005 com novo referendo

Não podemos esquecer que, naquele ano, houve um grande debate nacional com a opinião pública e amplos setores da sociedade civil antes da votação. Propagandas obrigatórias na TV e rádio expunham os argumentos contra e a favor do desarmamento. O povo não embarcou na campanha toda bonitinha do “sim” (a favor do desarmamento) que contou com a adesão de atores e atrizes globais que moram em condomínios fechados e bem protegidos e matérias semanais na revista Veja induzindo o voto do eleitor. O “não ao desarmamento” venceu.
Seis anos depois, oportunistas querem aproveitar a sensibilização nacional por conta do atentado de Realengo para ver se, desta vez, conseguem impor o desarmamento ao país.

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Quem dera que eu pudesse chegar aqui e dizer que o Brasil é um país onde o cidadão de bem conta com a devida proteção policial, onde domicílios não são diariamente invadidos por marginais e que as armas em posse de civis servem apenas para cair em mãos erradas e causar acidentes. Além do mais, quem dera que eu acreditasse, como não acreditei em 2005, que o desarmamento afetaria os traficantes que ostentam as armas frutos de contrabando internacional ou corrupção policial - as verdadeiras razões principais da violência no Rio e no país. A verdade é que o povo entendeu que desarmar o cidadão de bem não resolveria a raiz do problema das mortes por armas de fogo no Brasil, causadas em sua maioria por quem tem o direito legal de usá-las (os policiais) e por quem vive à margem da lei - e que, portanto, não seria afetado pelo desarmamento (os bandidos, assaltantes e traficantes que não compram suas armas legalmente na loja da esquina).
Ressuscitar o referendo é um desrespeito à decisão soberana do povo brasileiro, fruto de um oportunismo barato que tenta se aproveitar do calor de um crime isolado feito por um louco - e que seria feito do mesmo jeito com ou sem desarmamento, já que o bandido conseguiu as armas de forma clandestina – para impor a vontade de determinado setor da sociedade.

fonte: http://g1.globo.com/politica/noticia/2011/04/sarney-diz-que-vai-propor-novo-referendo-sobre-desarmamento.html
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