Desenvolvimento Econômico, mas a que preço?

poluição
Nós, do Estado do Rio de Janeiro, estávamos acostumados a ter uma vida de perfeita sintonia com a deslumbrante Natureza, que sempre emoldurou as principais paisagens fluminenses. Entretanto, essa união vem sendo ameaçada recentemente por empresas dos setores mais poluentes da indústria, como a siderúrgica e a petroquímica, que escolheram a região metropolitana do Estado para instalar seus complexos poluidores, contando com a benevolência dos nossos dirigentes e colocando em risco a fauna, a flora, e principalmente a saúde da população. Depois da chuva de poeira cinzenta sobre o bairro de Santa Cruz, causada pelo auto-forno da Companhia Siderúrgica do Atlântico, que o nosso blog denunciou aqui, agora é a vez do novo Complexo Petroquímico do Rio de Janeiro (COMPERJ), instalado em Itaboraí, ameaçar a vida marinha e a nossa saúde com seus dejetos químicos venenosos. Onde estão as autoridades do meio-ambiente deste Estado?

O novo secretário de meio-ambiente, o velho Carlos Minc, que sempre usou a natureza como slogan eleitoral, não parece muito preocupado. Se ele tiver a mesma postura que teve no caso da poluição criminosa sobre a população de Santa Cruz, causada pela CSA, nós estamos lascados. Naquela oportunidade, Minc, em entrevista à rádio Band News, se colocou debochadamente a favor da empresa, levantando até suspeitas do jornalista Ricardo Boechat. A bola da vez é o Complexo Petroquímico do Rio de Janeiro, que “precisa” se desfazer de seus dejetos químicos via emissário submarino, e está na dúvida entre a Baía de Guanabara ou o litoral de Itaipuaçu, em Maricá, rico em biodiversidade.

31-02-2008 - Início das obras do COMPERJ. Presidente Lula e o Governador Sérgio Cabral iniciaram simbolicamente as obras do Polo Petroquímico de Itaborai. Foto - Carlos MagnoPolíticos sorridentes na inauguração do Comperj 

Outro fator que chama a atenção e causa desconfiança é a forma como foi conduzida pelas autoridades o processo de consulta pública, através do Estudo de Impacto Ambiental – Relatório de Impacto ao Meio Ambiente (EIA-RIMA), documento onde se avaliam os possíveis danos ao meio-ambiente causados por determinado projeto (neste caso o emissário do COMPERJ). O período para análise desse documento teve início na antevéspera do Natal, com o prazo terminando no último dia 21 de janeiro  - ou seja, num período de festas, férias e feriados, onde o problema teve nenhuma repercussão.

impacto_ambiental Essa lógica compensatória precisa ser quebrada

Assim como o grande jornalista Ricardo Boechat, que desconfia seriamente que as autoridades estejam recebendo propina para permitir tamanha agressão ao meio-ambiente, eu também penso que essa só pode ser a única explicação. Fica difícil conceber como autoridades políticas como o senhor Sérgio Cabral e seu assecla do meio-ambiente, Carlos Minc, podem achar normal a lógica de compensação criada por estas empresas: “eu poluo o seu meio-ambiente, em troca lhe trago alguns empregos”, ou “eu jogo lixo na cabeça e nas águas dos seus cidadãos, e em troca eu crio um posto de saúde para cuidar dos problemas causados pela minha sujeira”. É hora de dar um basta neste tipo de política pública, e nestes políticos que só pensam em dinheiro.

fontes:
http://www.nitvista.com/index_frame.php?url=/ecoando/noticias.php%3Fid%3D702
http://sositaborai.blogspot.com/2011/01/com-obras-do-comperj-itaborai-sofre-e.html
http://www.grupoescolar.com/materia/estudo_de_impacto_ambiental.html
http://pt.wikipedia.org/wiki/Complexo_Petroqu%C3%ADmico_do_Rio_de_Janeiro