20 de janeiro de 2011

A prática do “breast ironing” na África

breast-ironingHoje eu quero levantar uma questão muito importante. Neste começo de Terceiro Milênio,  a sociedade  e a civilização ocidental relegam a segundo plano explicações científicas – portanto, universais – sobre culturas diferentes das nossas, impossibilitando-nos de fazer qualquer julgamento sobre o que é certo ou errado. Apenas devemos respeitar culturas alheias, pois senão estaríamos impondo nossa “visão de mundo”. 

É por conta deste relativismo exacerbado que deveríamos fechar os olhos contra crimes e violações dos direitos humanos no resto do mundo, cometidos em nome da “cultura”. Geralmente, as mulheres são as grandes vítimas deste tipo de postura.  É muito conhecida a repressão contra a mulher nos países islâmicos, bem como a mutilação sexual de jovens africanas. Mas uma outra prática, menos conhecida, é o “breast ironing” que consiste em desestimular por meio de uso de pedras ou outros objetos em brasa, o desenvolvimento dos seios nas meninas. É este tipo de prática aceitável?

De acordo com estimativas da ONU, por volta de 3,8 milhões de meninas africanas estão sujeitas hoje a sofrer este tipo de ritual, que ocorre com mais incidência no oeste africano, especialmente em Camarões. 50 por cento das garotas nas cidades e 1/4 em todo o país tiveram os seus seios torturados por tal ritual, praticados em grande medida, pelas próprias mães, sob a justificativa de que estariam protegendo suas filhas da cobiça masculina, do estupro e do sexo antes do casamento, pois a deformação dos seios as tornariam menos atraentes. A prática consiste em pressionar contra os seios das jovens (muitas  com apenas 9 ou 10 anos de idade) objetos como pedras ou outros instrumentos aquecidos no fogo, para reverter o desenvolvimento natural dos seios na puberdade.

As consequências de prática tão primitiva (e aqui vai sim um julgamento de valor) é a dor, infecções, assimetria dos seios e muitas vezes a perda de uma ou das duas glândulas mamárias.

Fica difícil entender as razões de tamanha brutalidade, cometidas e defendidas pelas próprias mães das vítimas. Mas de acordo com a visão que impera hoje nos meios acadêmicos e midiáticos, devemos ter uma postura de respeito e de indiferença no que tange as culturas diferentes, pois criticar as diferenças nada mais é do que ver o mundo com as nossas lentes particulares. Eu defendo que cada cultura tenha a sua auto-determinação e liberdade, mas quando estamos falando de violações de direitos humanos, eu penso que não dá para ficarmos alheios. Para maiores detalhes, assista a uma reportagem sobre “breast ironing” (em inglês) abaixo.
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