3 de dezembro de 2010

Embaixadas americanas continuam atuando como QG de espionagem

Afinal, para que serve uma embaixada? Bem, resumidamente, poderíamos responder que uma embaixada tem por finalidade a representação diplomática entre os países, para facilitar o intercâmbio político, econômico, cultural, etc. Também tem por objetivo auxiliar cidadãos de sua nacionalidade em vários aspectos, no país onde a embaixada está localizada. 

Muito bem. Tudo isso teoricamente, pois recentes documentos publicados no site Wikileaks mostram que as embaixadas norte-americanas continuam atuando como postos avançados de espionagem, apurando e repassando secretamente fatos de interesse estratégico dos EUA, sobre os países nas quais estão sediadas. A prática é antiga, remete aos tempos da Guerra Fria, e para funcionar perfeitamente, precisa de colaboradores pró-Estados Unidos nos respectivos países. Foi assim quando o então embaixador norte-americano Lincoln Gordon ofereceu dinheiro e ajuda militar para que Lacerda, Magalhães Pinto e Adhemar de Barros, além de outros, pudessem tramar a derrubada do presidente João Goulart em meados dos anos 60. Se hoje não se chega a tanto (será?) pelo que foi mostrado em reportagens do jornal O Globo, as embaixadas americanas pelo menos continuam servindo de quartel general de espionagem. Em documentos divulgados pelo Wikileaks, o embaixador norte-americano no Brasil, Clifford Sobel, passa ao seu governo informações sobre a Venezuela, obtidas através do Ministro da Defesa brasileiro, Nelson Jobim. 

Em outro documento, de um mês antes, o embaixador afirma ter obtido do mesmo Ministro informações sobre a inclinação antiamericana do Itamaraty. Outro caso de embaixador-espião denunciado pelo site é o da embaixada americana na França. O embaixador, Charles Rivkin, repassa ao seu governo informações sobre a aproximação entre Brasil e França. 

Num documento do fim do ano passado, afirma que o presidente da França usa o Brasil para ganhar espaço político na América Latina [na visão americana, o seu quintal e zona estratégica de influência]. Em tom alarmista, o embaixador afirma que o Brasil almeja se tornar uma potência mundial, e os acordos militares e tecnológicos com a França teriam esta finalidade. Procurados pelo jornal, os ministérios da Defesa e das Relações Exteriores não se pronunciaram. Lula já havia minimizado a divulgação dos documentos, com a estranha alegação de que "se fossem importantes, [os documentos] não teriam sido vazados"... Parece que há um certo acordo velado entre as autoridades para que não comentem documentos sigilosos que por ventura tenham se tornado públicos, ou então para minimizar as publicações do site. As denúncias são muito graves, e deveriam culminar com o afastamento do Ministro da Defesa, Nelson Jobim, por fornecer a um país estrangeiro, dados sobre questões internas e de países vizinhos. É pra isso que serve uma embaixada? É essa a função de um Ministro da Defesa?
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