Panorâmica Social

Denúncia das injustiças da plutocracia brasileira e mundial

25 de dezembro de 2010

Empresários burlam da lei de meia-entrada impunemente

Lei da meia entradaA lei Nº 2519, de 17 de janeiro de 1996 instituiu a meia-entrada em "locais de diversão, de espetáculos teatrais, musicais e circenses, em casa de exibição cinematográfica, praças esportivas e similares das áreas de esporte, cultura e lazer no Estado do Rio de Janeiro". Se a intenção foi correta, o resultado, por falta de firmeza das autoridades fiscalizadoras, foi pior do que se esperava.

Por conta desta lei, estudantes do ensino fundamental, médio e universitário, devidamente munidos de suas carteirinhas de identificação, teriam direito a pagar metade do preço das entradas. Ou seja, num evento que custasse R$30,00, pagaria-se R$15,00. Mas as instituições afetadas pela lei descobriram uma forma prática e simples de burlarem a determinação: aos poucos, sem que chamassem muita atenção, o ingresso dos espetáculos e apresentações afins tiveram o seu valor aumentado, muitas vezes dobrado ou triplicado! Isso quer dizer que, espertamente, o valor foi subindo, de modo que o que antes custava R$30,00 a inteira, passou a custar R$60,00. Se você paga a meia-entrada, acaba pagando o que era a inteira (R$30,00) e não paga meia. Se você não é beneficiário da lei e paga a inteira, então não paga o preço normal e sim o dobro!

Um grande exemplo de comparação é o valor do ingresso para o Rock in Rio de 2001, quando a lei ainda estava relativamente recente; de 2011, dez anos depois, e o desse ano. O ingresso sem meia-entrada custou 35 Reais em 2001, numa época em que o salário mínimo estava na casa dos R$180,00, ou seja, por volta de 19.4 por cento do piso nacional. O penúltimo Rock in Rio 2011 teve ingressos a 190 Reais, para um salário mínimo de R$540,00, o que já corresponde a 35.1 por cento. Esse ano foi ainda mais descarado: o valor do ingresso para o Rock in Rio de 2015, inteira, foi de R$ 350,00 para um salário mínimo de R$ 788,00, o que representa 44.4 por cento do salário mensal de um trabalhador! Ou seja, tomando o salário mínimo como parâmetro, o ingresso aumentou absurdamente de preço, por conta da falta de regulamentação sobre a lei da meia-entrada.

A desculpa dos organizadores é que muitas pessoas tendem a obter carteirinhas falsas, e o único jeito é aumentar o valor do ingresso pra compensar. Ou seja, assim como a Light, empresa de energia elétrica do Rio, repassa para os bons clientes os prejuízos do "gato" porque daria muito trabalho fiscalizar os ladrões, essas empresas repassam o valor do "prejuízo" para todo mundo, muito mais fácil e rentável.

Lamentavelmente, este é apenas mais um exemplo da falta de caráter de empresários e prestadores de serviços brasileiros, que não têm o menor escrúpulo em se aproveitar do cidadão para auferir lucros exorbitantes em cima do cliente final, contando com a parcimônia dos órgãos governamentais fiscalizadores. E tem gente que ainda acha que o problema desse país é principalmente os altos impostos sobre os produtos e serviços…

fontes:
http://www.guiatrabalhista.com.br/guia/salario_minimo.htm
http://revistaepoca.globo.com/Revista/Epoca/0,,EMI56944-15228,00-http://www.cp2.g12.br/alunos/leis/leis_meiaentrada.htm

2 comentários:

  1. Eu fico indiguinado com isso.

    Sem contar no falso meio ingresso. Por exemplo, um show custa 80 reais. Meia entrada para estudantes ou quem levar um kilo de alimento. Ou seja, todos vão pagar a mesma coisa.

    Ta faltando fiscalização. Parabens pelo texto

    http://omundodoscinefilos.blogspot.com/

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  2. HAHA' e lá vamos nós, buscando cada vez mais vantagens!

    Se der visite o meu blog www.umaformadepensamento.blogspot.com

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