Panorâmica Social

Denúncia das injustiças da plutocracia brasileira e mundial

25 de novembro de 2010

Rio de Janeiro tem oportunidade histórica de mudar o seu destino

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Rio de Janeiro tem oportunidade histórica de mudar o seu destino
A onda de terrorismo no Rio dá às autoridades a oportunidade histórica de nos livrar de uma vez por todas da violência e do tráfico de drogas.





violencia no rio









A cidade do Rio de Janeiro, ao longo das últimas décadas, sofreu um processo cruel de abandono e empobrecimento, desde que deixou de ser distrito federal, sem nem sequer ganhar um centavo a título de compensação, como em outros casos pelo mundo afora. Logo a seguir, a fusão arbitrária da cidade (então Estado da Guanabara) com o interior foi ruim para a economia, que também veio a sofrer um processo de desindustrialização gradual. Não bastasse tudo isso, no final dos anos 80, o então senador José Serra nos fez o favor de tirar o ICMS do petróleo, num dos maiores absurdos cometidos por aquela Casa legislativa - que não foram poucas - ajudado pela omissão e incompetência de nossos representantes fluminenses.

Todo esse processo de empobrecimento do Rio de Janeiro desembocou numa onda de atividades criminosas a partir dos anos 70, alimentada pelo consumo e tráfico de drogas, que só fez crescer ao longo das décadas seguintes, sob os narizes dos sucessivos governos estaduais. Atrelada ao consumo e ao tráfico, veio a segunda onda, a da violência, que aumenta quanto mais ficam sofisticadas as armas e a ousadia dos bandidos. Todo esse processo, resumido até aqui, veio desembocar neste dia 25 de novembro de 2010, quando a violência atingiu o seu ápice histórico.

Desde o último domingo, a cidade tem assistido atônita a vários atos orquestrados de traficantes, que queimam veículos, fazem arrastões, atiram nas pessoas, espalham bombas, queimam pneus em barricadas, tudo isso em retaliação, de acordo com uma carta deixada por bandidos num dos pontos de ataque, à implementação das Unidades de Polícia Pacificadora (UPP’s) que vêm tirando o domínio das favelas das mãos dos traficantes.

A resposta da polícia foi imediata. Milhares de soldados, com o apoio de colegas de serviços burocráticos dos quartéis e daqueles de férias, estão nas ruas para impedir os ataques. Ao mesmo tempo, forças das elites policiais invadem os morros para caçar os responsáveis. Hoje, no dia mais agudo dos ataques, quando 30 veículos foram incendiados, o BOPE, com o apoio de tanques da Marinha, conseguiu invadir a favela da Vila Cruzeiro, numa megaoperação histórica, tomando das mãos dos bandidos uma das comunidades mais violentas e de difícil acesso da cidade. Cenas impressionantes veiculadas nas emissoras de TV mostram centenas de bandidos fugindo para a favela vizinha: o mais complicado, difícil e violento Complexo do Alemão (veja as imagens na reportagem no video abaixo). A polícia já avisou: vai atrás dos bandidos nos próximos dias, que neste momento estão cercados.












Eu ainda não coloco a mão no fogo pelas UPPs. Não sei se elas vão cumprir a sua meta, um tanto ambiciosa, de pacificar todas as comunidades dominadas pelo tráfico até 2014. Mais do que isso: se conseguirem, não sei se o projeto terá continuidade, num Estado onde tradicionalmente governadores eleitos destroem políticas públicas com a marca dos antecessores. Mas reconheço que é uma das melhores iniciativas das últimas décadas para tentar solucionar de vez um problema crônico do Rio de Janeiro, que é essa violência a reboque do tráfico de drogas. Não sou partidário nem eleitor deste atual governador, mas ao contrário dos meus colegas da esquerda, consigo enxergar boas medidas políticas daqueles ao qual não simpatizo politicamente. As autoridades e chefes de segurança têm nas mãos uma oportunidade histórica de nos livrar de uma vez por todas da violência do tráfico de drogas e destes rapazes semi-analfabetos que aterrorizam nossa cidade com armas pesadas nas mãos. Incursões policiais em comunidades carentes sempre deram muita polêmica e foram assunto de debates entre especialistas, a respeito do descaso histórico com populações negras e pobres, abuso policial de autoridade, execuções sumárias, entre outras coisas. Mas neste instante a coisa é mais complexa. A sociedade demanda uma solução urgente a uma afronta que já dura dias. O Estado tem que dar uma resposta forte, muito embora o Secretário de Segurança José Mariano Beltrame esteja coberto de razão quando diz que a repressão por si só não resolve, é preciso que outras instâncias de poder façam a sua parte, defendendo as fronteiras, impedindo a entrada de armas e drogas, enquanto mudam-se as leis, para que traficantes presos estejam totalmente isolados do resto da sociedade, impedidos de comandar ataques terroristas de dentro da cadeia. Dessa vez os bandidos foram longe demais e o Estado tem a chance de acelerar o processo de eliminação destas doença sociais que são o tráfico e a violência.

Nos próximos dias teremos momentos decisivos em que duas opções se configuram no horizonte. A primeira: os bandidos, acuados e cercados no Complexo do Alemão, se entregarão aos policiais, que terão então efetuado as prisões sem tiros, sem balas perdidas, sem perdas humanas. Hipótese menos provável. A segunda: já sem nenhuma perspectiva, sem nada a perder, eles reagem à incursão policial a tiros, obrigando os militares a empreender a maior matança de bandidos jamais vista no Brasil até hoje. Infelizmente a população da comunidade terá que conviver com mais estes derradeiros dias de terror, antes que a polícia possa fazer o seu trabalho, que culminará com a instalação de mais uma UPP na região. De qualquer modo, estaremos dando um grande passo para dar um golpe no poder paralelo que se instalou na cidade.  

Vamos ver o que vai dar...

13 de novembro de 2010

PSOL em crise e dividido é o retrato das esquerdas no país.

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PSOL em crise e dividido é o retrato das esquerdas no país.

O 2º Turno terminou, mas deixou grandes estragos no PSOL, acentuando divergências que vinham desde as convenções nacionais.

Depois de seis anos de existência, o PSOL rachado e em crise é o retrato das esquerdas no Brasil ao longo da história política recente. Uma esquerda sectária, desunida, sem rumo, incapaz de dar as mãos em torno de um projeto maior. Desde as convenções nacionais, o partido vinha apresentando uma série de divergências internas incontornáveis, mais pela falta de maturidade e visão de futuro do que por questões realmente importantes.

Heloísa Helena teve um ano pra esquecer. Primeiro, se recusou a fazer campanha para o candidato que venceu as convenções do partido, Plínio de Arruda Sampaio, após divergências que levaram a acusações de parte a parte. Heloisa apoiava outro candidato internamente. Pior: antes das convenções, simpatizava com uma aliança entre o PSOL e Marina do PV, numa demonstração de que não entendera o processo que levou o Partido Verde já há algum tempo  a uma guinada para a centro-direita da política. Ensaiara uma inocente aliança em torno da candidata. Teve que recuar quando o PV preferiu fechar aliança com os conservadores DEM e PSDB no Rio. Depois, sua atitude radical de contestação ao governo Lula levou a sua candidatura ao Senado por Alagoas a afundar, abrindo espaço para que o Estado elegesse dois candidatos conservadores. A gota d'água veio no segundo turno das eleições presidenciais. Alguns membros do PSOL, muito acertadamente, defenderam o "voto crítico" em Dilma, percebendo que um governo demo-tucano seria muito mais danoso ao país. Heloísa Helena discordou veementemente e resolveu se afastar da presidência por não concordar com tal medida.

Ora, numa disputa em que tínhamos um projeto neoliberal de um lado, e de outro um claramente mais voltado para o social, você defender o voto nulo, é você ter uma visão estreita, limitada da política. Infelizmente a Heloísa Helena não foi capaz de enxergar que indiretamente contribuiu para que o Serra sonhasse com a presidência até o fim, ao achar que um voto nulo é um voto neutro. Em certas ocasiões da política devemos ser pragmáticos, votar no "menos pior" e cobrar deste um compromisso com propostas sociais. Mas não, a visão sectária e radical de HH, impediu-a de entender a questão por este ângulo, contribuindo para um racha interno no partido e na sua renúncia da presidência. O mesmo radicalismo que impediu a eleição da deputada Luciana Genro no Sul, pois uma aliança com outros partidos da esquerda poderia tê-la feito entrar pelo critério do coeficiente eleitoral.

Este sempre foi o problema das esquerdas no mundo, que se reflete no Brasil em cada ano de campanha eleitoral. Comunistas, socialistas, anarquistas, social-democratas... todos eles são incapazes de se unir em torno de um projeto de governo, maior, preferindo picuinhas teóricas, inviabilizando alianças por conta de questões menores. São incapazes de admitir que um primeiro passo pode ser dado aos poucos, por exemplo ajudando a derrubar um governo neoliberal, apoiando outro, mais progressista. Quando resolvem colocar PT e PSDB no mesmo saco, contribuem para se afastar da realidade política, vivendo de sonhos e utopias que não contribuem em nada para o Brasil de hoje. 

As esquerdas do país têm muito o que aprender com a direita neste ponto. Na hora da crise, do aperto, ou de derrubar um projeto rival, eles se unem, deixando de lado suas divergências momentâneas. Infelizmente Heloisa Helena foi o retrato fiel desta esquerda radical.

8 de novembro de 2010

Relatório da ONU aponta baixa escolaridade no país

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cresce idh
Atualizado por Almir Ferreira dia 13/9/2013

A necessidade da próxima presidente Dilma Rousseff investir na melhoria da Educação brasileira fica patente no estudo produzido pela ONU.

Ao completar seu vigésimo aniversário, o Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) das Nações Unidas - que apontou a ligeira subida do Brasil no ranking - sofreu reformulações em sua metodologia. E com elas, um relatório sobre tudo o que foi feito nesses últimos vinte anos pelos países membros para melhorarem suas colocações. O Brasil (73º colocado no ranking deste ano, de um total de 169 países), citado no relatório, ganha elogios em renda e diminuição da desigualdade social; mas em termos de Educação, continua deixando muito a desejar, provando que este deve ser o novo desafio da nova presidente do Brasil para o mandato 2011-2014, Dilma Rousseff.

As duas críticas do relatório chamam a atenção para importantes questões: na primeira, o documento aponta que

um estudo de atitudes sobre educação entre elites brasileiras durante os anos 90 [década dominada por políticas neoliberais de Collor, Itamar e FHC] mostrou que as elites são frequentemente relutantes em ampliar as oportunidades de educação, pois trabalhadores educados seriam mais difíceis de gerenciar”; a outra crítica mostra que a baixa escolaridade brasileira de amplos setores da população está na raiz da desigualdade brasileira entre ricos e pobres.



A mudança de metodologia do IDH não melhorou a situação do país. Os índices averiguados continuam sendo saúde, educação e renda, mas o quesito relativo à educação sofreu mudanças. Antes se destacava o número de alfabetizados e de matriculados em escolas; agora o índice aponta os anos médios de estudos da população acima dos 25 anos de idade, e "os anos esperados de escolaridade", que avalia a rede de ensino oferecida, número de matrículas e expectativa de permanência da criança na escola.

De acordo com Cinthia Robrigues do IG, o Brasil está mal nos novos parâmetros:


"O Brasil está longe dos melhores índices nos dois critérios. A média de anos de estudo dos brasileiros com mais de 25 anos é de 7,2 anos contra 13,2 nos Estados Unidos, que lidera neste quesito. Para as crianças que estão entrando na escola agora, o Brasil tem a expectativa de que permaneçam estudando por 13,8 anos, enquanto a campeã é a Austrália, onde espera-se que as crianças estudem pelos próximos 20,6 anos".

Uma das promessas de campanha da candidata eleita a presidente Dilma Rousseff, foi destinar os dividendos do pré-sal, em parte, para financiar a melhora da Educação no país. Os dados mostram que a medida é urgente, tendo em vista o crescimento econômico do país, já bem resolvido e sacramentado. Mas se não forem acompanhados de investimentos na formação do ser humano, esses avanços poderão sofrer barreiras e retrocessos, devido a um possível gargalo de falta de gente qualificada. Educação, erradicação do analfabetismo funcional com incentivo e apoio à leitura - e estamos cheios de exemplos disso pelo mundo -  são condições sine qua non para o Brasil alcançar o status de país plenamente desenvolvido.


com base em: http://ultimosegundo.ig.com.br/educacao/baixa+escolaridade+no+brasil+e+

destacada+em+relatorio+da+onu/n1237819750912.html

1 de novembro de 2010

Cyberbullying causa mais danos que o Bullying tradicional

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Pais e educadores começam a levar o problema a sério

Nesta era digital, as pessoas estão com cada vez menos controle da privacidade de suas vidas. Alunos adolescentes usam a rede mundial para praticar o bullying virtual contra seus colegas de escola.

Já se foi o tempo em que a intimidação, as piadas com intuito de constranger e os comentários grosseiros praticados geralmente por alunos adolescentes a seus colegas, conhecidos como bullying, estavam restritos à sala de aula. Agora, um novo fenômeno passa a ser alvo da atenção de pedagogos e educadores: é o cyberbullying, que dissemina comentários perversos e depreciativos contra as vítimas nos espaços virtuais e nas mensagens de texto de celular.

A tecnologia ajuda a disseminar os ataques para um público ainda maior, ilimitado, que é o da web. E esse fator tem um poder agravante sobre as vítimas, porque ela agora, além de tudo, não é capaz de saber de onde partem os ataques, tendo em vista que na internet muitos comentários são feitos de forma anônima. Se antes, ao menos, ela podia identificar o agressor, agora ele pode estar ali a seu lado, sem que ela saiba.

A influência do cyberbullying sobre as vítimas é maior, porque o público, aquele que "assiste" os ataques, ultrapassa as fronteiras do âmbito escolar. Passa para outras esferas de convívio da vítima, como os amigos da rua, os parentes, etc.

Além do mais, para agredir virtualmente alguém, não é preciso ser o mais forte, o mais popular ou o mais temido da turma. Agora basta apenas ter acesso a um celular ou a internet.

Sabemos que a adolescência é uma fase difícil, onde os jovens buscam firmar a sua personalidade e geralmente acabam se identificando com um ou outro grupo de pessoas. Basta que este jovem fuja dos padrões aceitos por aqueles grupos, que não se enquadre a nenhum modelo, ou que faça parte de um grupo de minorias, para ser vítima de preconceito e discriminação. Desta maneira, fica claro que o modo de combater o cyberbullying bem como o bullying tradicional é através do convívio e aceitação das diferenças. Desde cedo pais, educadores e especialistas devem ser capazes de mostrar para as crianças que não existe um padrão de comportamento, um modo de se vestir, de falar, de se comportar. Todos os modos devem ser aceitos - desde que se considere as normas sociais de convívio, é claro. As pessoas devem ter liberdade de ser o que elas são e ser respeitadas por isso. Assim se poderá combater o cyberbullying, através de esclarecimentos e incentivos ao convício das diferenças na sala de aula e em casa.