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Torcer ou não torcer para a seleção brasileira

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Para um brasileiro médio, pouco envolvido com as questões complexas que essa pergunta suscita, a resposta é óbvia: é claro que todo brasileiro deve torcer para a seleção do seu país. Porém, a coisa fica mais complicada quando você levanta algumas questões.

Eu, particularmente, deixei de torcer para a seleção verde e amarela depois da Copa de 94. Já naquela época, havia a polêmica do escrete canarinho ter cada vez menos jogadores atuando nos times nacionais. Esse fator provocava e provoca o distanciamento do torcedor com seus ídolos, que desfilam seus talentos para a alegria de outros povos no exterior.

Além disso, passamos a contar com mudanças no futebol proporcionadas por alterações na chamada lei do passe, por conta da Lei Pelé, que, ao fim e ao cabo, significou a instauração dos ideais neoliberais no futebol brasileiro, não obstante ter sido festejada na época por jogadores e especialistas como o "fim da escravidão" no futebol. Infelizmente, o que aconteceu de fato foi a…

Brasil e Argentina experimentam mais uma vez as agonias do neoliberalismo

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Brasil e Argentina vêm demonstrando muito claramente nos últimos meses aonde a crença cega no capitalismo de mercado desregulado pode levar. Aqui, depois de dois anos de governo pró-capital, tenta-se destruir quaisquer barreiras à rapina internacional de nossas riquezas. Isso sem falar na tentativa de acabar com a proteção das leis que dão conta dos direitos do trabalhador, entre outras medidas lesivas.

Na Argentina, a população experimenta a sensação de déjà vu, de regresso àquela época de neoliberalismo extremo com Menem e Cavallo, de meados dos anos 90.

A hipocrisia do atual governo Macri de bradar recuperar a economia do "kirchnerismo", acusado de corrupto e populista, entregando a Argentina nas mãos do mercado, deu justamente na crise cambial que vive agora o país mais uma vez, tendo que se ajoelhar humilhado perante o FMI em pedido de socorro financeiro.

Pedido esse que, como sabemos, só será atendido se o governo cumprir não um alívio e sim um aprofundamento nos pacot…

Por que abandonamos as redes sociais

Como aqueles poucos, porém, fiéis leitores puderam perceber, não estamos mais nas redes sociais. Esta decisão foi tomada depois de um tempo de reflexão, tendo em vista o conhecimento de algumas medidas tomadas pela maioria delas, com as quais não concordamos.

A principal, é claro, é a falta de transparência com relação aos algoritmos que determinam o que as pessoas podem ou não receber no seu perfil. Jamais concordamos com a matemática que diz que uma página no Facebook, como por exemplo a nossa, com modestos 2 mil curtidores (não importa a quantidade aqui e sim o exemplo) não tenha uma postagem visualizada por mais de 20 por cento dessas pessoas. Obviamente, isso é uma forma de induzir criadores a pagar para ter seu conteúdo divulgado devidamente. Eles têm esse direito, e nós temos o direito de discordar. Por isso saímos.

Além disso, há o fator sentimental. Sou blogueiro desde 2010, uma época em que a chamada blogosfera experimentava o seu auge, com muita audiência e interação, muito…

Lula não define seu herdeiro eleitoral e dificulda a vida das esquerdas em outubro

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A crise política que toma conta do país polarizou o debate e tirou do armário uma facção protofascista disposta a sabotar todas as regras para apagar do mapa tanto o PT quanto suas conquistas sociais no poder. Isso exigiu a reorganização das esquerdas para o enfrentamento da onda reacionária que coloca o Brasil numa estrada sem rumo, com o horizonte repleto de possibilidades nada otimistas.

O primeiro grande movimento de união das esquerdas foi dado recentemente no Rio, com manifestações em apoio a Lula, em defesa de sua candidatura, da democracia e da Constituição. Estavam presentes representantes de diversos partidos, desde o PCO até o PCB, demonstrando a intenção de um alinhamento de forças contra as iminentes ameaças às instituições democráticas.

Com a negação pelo Supremo Tribunal Federal do Habeas Corpus, o juiz Sérgio Moro não perdeu tempo, nem esperou esgotarem-se os recursos e decretou a imediata prisão de Lula.

Antes de se entregar, porém, numa estratégia que muitos consider…

A Ditadura Militar na raiz do desprezo pelos Direitos Humanos

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Não vou perder o nosso tempo aqui explicando para as pessoas como elas estão absolutamente enganadas, quando criticam aqueles que se dispõem a defender os pontos determinados pelas Organizações da Nações Unidas sobre os direitos humanos. Muita gente já fez isso com muita competência, sem no entanto conseguir diminuir significativamente a onda de raiva e preconceitos, totalmente injustificados contra "os direitos humanos" tratados como um sujeito de tanto que as pessoas mal sabem do que se trata.

No entanto, quero discutir por que o brasileiro médio é dado a ser crédulo em todo tipo de falácia mal feita, que cola como uma verdade absoluta no seu cérebro a ponto de pessoas perderem totalmente a sensibilidade humana. Pra isso quero discutir alguns tópicos de forma resumida.

Nem é preciso ir assim tão longe no tempo. Na época da ditadura militar. Oficialmente ela não existe mais. Entretanto, é possível farejar a sua essência no ar, aquilo que permanece de um momento de sectarism…

As relações promíscuas de Michel Temer no poder

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Michel Temer sempre foi um político de relações de bastidores na política, com bom trânsito entre os poderes da República. Até por isso, de forma lamentável no meu modo de entender, o PT o escolheu como vice-presidente na chapa com o (P)MDB, esperando que o velho político pudesse fazer as costuras da mal-fadada governabilidade: as alegadas necessárias "negociações" para a aprovação, por parte dos deputados, das pautas governistas, sabe-se lá em troca de que favores.

Mas foi quando arrebatou o poder beneficiando-se diretamente do golpe contra Dilma que Temer perdeu totalmente os limites da decência republicana. De forma totalmente descarada, ofereceu belos convescotes aos nobres deputados, como se fazia na época do Antigo Regime entre a nobreza, para persuadi-los a aprovar as draconianas reformas que o capital financeiro e o patronato aguardavam ansiosos. Enquanto isso, lá fora dos salões reais, ou melhor, presidenciais, a plebe aturdida com tamanha ousadia em protesto era ví…

Donald Trump protecionista e Banco Mundial liberal

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A maioria dos estadunidenses elegeu Donald Trump, entre outras coisas, pelo seu discurso protecionista. Parece que os norte-americanos não estavam muito satisfeitos e nem convictos da ideologia liberal, que prega que as barreiras tarifárias que dificultam a livre circulação de mercadorias sejam derrubadas (e que deveria incluir também a queda de patentes e livre circulação de mão-de-obra, mas essa parte eles não gostam de falar). Dito e feito. Na terra do capitalismo desenfreado, Trump instituiu barreiras contra o aço e alumínio importados, dificultando o comércio dessas commodities com os países produtores.

Mas a questão não é tanto essa, e sim o fato curioso de que, dias depois, o Banco Mundial, instituição sob influência direta estadunidense, ter sugerido ao Brasil a abertura de mercado para "aumentar a produtividade" e tirar "6 milhões de pessoas da pobreza". Como se o mercado livre mundial não fosse uma fábrica de pobreza e desigualdade em escala industrial, c…