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Religião também é alvo de crítica nas campeãs do Carnaval carioca

O momento político conturbado por que passa o Brasil ajudou a resgatar a verve crítica de uma manifestação popular naturalmente "subversiva", o Carnaval. Pelo menos nos desfiles das escolas de samba do Rio, os protestos contra a atual situação política dominaram os assuntos.

Muito contribuiu para isso a escolha de algumas escolas de samba do Grupo Especial, que levaram para a Sapucaí temas com crítica social. Os meios de comunicação e os foliões perceberam as nítidas referências à corrupção política, portanto nem vamos falar aqui tanto delas, mas do que passou despercebido, intencionalmente ou não: as alusões negativas à religião nos sambas-enredo da campeã e da vice do Carnaval: Beija-Flor e Paraíso do Tuiuti.

Não só a política está na raiz de nossa atual situação de desigualdade social, descaso com os mais pobres e violência. É difícil para muita gente reconhecer que a religião cristã contraditoriamente serviu aos ricos e dominantes, mesmo não sendo nenhuma surpresa para q…

O dilema de quem quer votar na esquerda nas eleições presidenciais

Sempre admirei a postura dos membros das escolas de samba do Rio de Janeiro. Independentemente de ganharem o Carnaval ou não, ficam felizes quando as suas agremiações fazem um bom papel na avenida e mandam o seu recado. Mas eu confesso que, em se tratando de política em ano eleitoral, a minha conduta é mais para o torcedor de futebol: quero que o meu time vença o campeonato, ou seja, que algum candidato de esquerda vença a eleição desse ano.

Guilherme Boulos quase certamente será o candidato do PSOL, enquanto que, pelo PDT vem Ciro Gomes. Não vejo nenhum outro candidato de esquerda que possa ser cogitado, mesmo que a Lula seja permitido se candidatar. O próprio PCdoB admitiu que a candidatura de Manuela D'Ávila tem por natureza ajudar a eleger deputados por causa da nova lei da cláusula de barreiras e, portanto, não pode ser considerada.

Tendo em vista essa situação, apresenta-se um dilema para quem pretende um dia ver um candidato verdadeiramente de esquerda no poder. Desde já, c…

Como Lula pode virar o jogo contra seus algozes

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O que está acontecendo no Brasil nos últimos anos não é mais segredo pra ninguém. Setores mais reacionários das classes dominantes, através de seus aparatos políticos-jurídicos, com o apoio de uma classe média histérica e politicamente estupidificada, além da propaganda ideológica veiculada em telejornais de empresas midiáticas com relações promíscuas com o poder, resolveram varrer do cenário o PT e seu legado.
Regir ou morrer E os caras não estão para brincadeiras. Desde a reeleição de Dilma em 2014, parece que esses setores perceberam que era a gota dágua. Se Dilma cumprisse o mandato e por ventura o entregasse a Lula numa volta do ex-presidente ao governo federal agora em 2018, o PT poderia completar, no mínimo, 24 anos ininterruptos no poder, mais do que a ditadura militar, por exemplo. Seria fatal para uma oposição aninhada no tucanato do PSDB, que já perdera 4 eleições seguidas para o PT.

Por isso, desde 2014 os opositores se tranformaram em golpistas, como seus pais e avós em 6…

O discurso hipócrita de José Dirceu quer apagar a colaboração dos governos petistas com a alta burguesia

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Aqueles membros do Partido dos Trabalhadores que foram expulsos logo após a vitória de Lula no pleito eleitoral de 2002 — muitos dos quais vieram a fundar o PSOL mais tarde — afirmam que José Dirceu foi o grande arquiteto da guinada do PT para o centro da política, abandonando assim compromissos históricos com as bandeiras da esquerda.

No poder, Lula, o PT e José Dirceu nos bastidores lançaram mão de práticas que até então criticavam na política dos outros, sendo a mais notória delas o chamado Valerioduto, um esquema de propinas a deputados herdado praticamente intacto do PSDB, que estava na raiz do que os petistas chamavam de "governabilidade": a necessidade de angariar (comprar, literalmente) apoio no Congresso para propostas que nem sequer eram das mais progressistas.


Naquela época, Dirceu e o PT, recém-chegados ao poder, acreditavam que seriam recebidos como iguais nas festas do "Grand Monde". Ledo engano. Os petistas sempre foram tratados como indesejáveis pel…

Lula, se conseguir se eleger, será refém permanente da ameaça de prisão

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A burguesia nacional sempre odiou Lula, o operário agitador de sindicatos de origem nordestina e que, ainda por cima, sempre associou-se a símbolos caros à esquerda, como a ostentação de barba, bandeiras e estrelas vermelhas. Era demais para esta parcela altamente reacionária e emocionalmente ligada aos Estados Unidos.

No entanto, naqueles anos 80, ninguém jamais poderia imaginar que o então chamado sapo barbudo iria ser a carta na manga desta mesma burguesia numa disputa eleitoral anos mais tarde. A política é imprevisível.

Nas eleições presidenciais de 2002, depois de oito anos e dois mandatos seguidos do tucano Fernando Henrique Cardoso, a população estava à beira de um ataque de nervos com o governo, em frangalhos depois da política econômica neoliberal que corroeu empregos, salários, bem-estar, e até o fornecimento regular de eletricidade. Estávamos literalmente nas trevas.

A burguesia sabia que a população não iria dar mais um mandato para seus representantes políticos aninhados…

Brasil, um país preso às correntes do atraso

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Stefan Sweig viveu no Brasil seu último ano de vida, exilado das perseguições aos judeus promovidas por Hitler na sua terra natal, a Alemanha. O pouco que conheceu do nosso país foi o suficiente para que escrevesse um livro e o nomeasse com um título que durante décadas tem sido evocado nas mais diversas circunstâncias: "Brasil, o país do futuro".

Naquela época, um misto de encanto com as belezas naturais, o potencial de um povo mestiço e uma indústria nacional que começava a decolar justificariam a profecia do judeu-alemão. No entanto, quase 80 anos depois do vaticínio otimista, o futuro ainda está distante no horizonte. O Brasil capenga nas suas próprias dificuldades. Nesse período, nações verdadeiramente atrasadas sócio-economicamente, especialmente na Ásia, saíram de uma condição miserável para atingir níveis elevados de IDH, de tecnologia e de indústria, deixando o gigante tupiniquim a ver navios.

O Brasil, carente de uma verdadeira elite na acepção da palavra — segundo…

O paradoxo Lula

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Já estava com saudade de poder escrever aqui no blog minhas humildes impressões sobre o cenário político-social deste país, algo que beira à insanidade, em que a razão e ponderação, tão caras a um bom debate, perdem espaço para a polarização das acusações vazias entre esquerda e direita.

E no centro dessa peleja, se encontra a figura onipresente do ex-mandatário da nação Luis Inácio Lula da Silva.

Muito já foi falado a respeito dos seus dois governos, de suas falhas e de seus méritos, mas pouco sobre seu legado na opinião pública e na política nacional. Lula, com suas contradições, conseguiu a proeza de ser atacado e defendido pelos dois espectros políticos, da direita à esquerda, o que o torna uma figura ímpar no quadro nacional.

Pelo lado da direita, as críticas partem com base num misto de preconceito de classe e medos irracionais, como é do feitio dessa vertente ideológica. Preconceito contra os milhões de miseráveis que ascenderam um modesto degrau na escala social nos governos p…

Luciano Huck já sentiu na pele o que você passa para sobreviver?

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O empresário e apresentador Luciano Huck começa a discutir com partidos, especialmente o PPS de Roberto Freire, a possibilidade de se candidatar a presidente da República no ano que vem.

Um nome que sai da cartola das classes dominantes Seu nome surpreende num primeiro momento, pois o apresentador, apesar de ser um legítimo representante do eleitorado coxinha paulista e aparecer em eventos com políticos da direita, nunca foi versado em assuntos políticos.

Mas basta uma reflexão breve e logo se entende. Primeiro, de forma oportunista como é do seu feitio, quer pegar carona na onda de desprestígio da classe política, por conta dos diversos escândalos de corrupção, para se apresentar como o "não-político", estratégia já utilizada por João Dória, à direita na foto acima, com o próprio Huck. Como se apenas na política houvessem homens desonestos, corruptos e interesseiros, e na classe empresarial só os puros e santos.

Saiba mais sobre Huck e seu oportunismo, no mau sentido, emO que…

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